Pranchas que marcaram época: BZ Ben T-10

Bom, em mais uma seção diferente do blog, vou falar de algumas pranchas que marcaram época por algum motivo específico, seja por seu material, pelo momento do mercado na época de seu lançamento ou por ser o “pro-model” de algum ícone do esporte.

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Ben Severson em uma incrível foto surfando com sua Ben T-10. Imagem: bodyboardmuseum.com

Hoje vamos falar da BZ Ben Board/BZ Ben T-10, uma prancha que foi um marco no final dos anos 80 e começo dos anos 90, por uma combinação de diferentes motivos. O primeiro deles por ser, acredito eu, a primeira prancha vinda de uma série de modelos custom desenvolvidos até se chegar no produto final para o público. Ben Severson trabalhou com Greg Szabad (shaper e dono da BZ na época) na criação do modelo, que foi colocado no mercado inicialmente como se fosse uma edição limitada. As primeiras 999 pranchas colocadas à venda foram numeradas (vide a foto acima) e chegaram a ser vendidas a 305 dólares, um preço alto até para o mercado atual. No Brasil me lembro que alguns atletas com patrocínio da BZ brasileira chegaram a usar essa prancha, que tinha o deck na cor azul com as chamativas bordas diamond na cor rosa, com o fundo degradê colorido.

Mas aí você “caiu de pára-quedas” no meu blog (ou é da novíssima geração) e me pergunta: mas quem “raios” é Ben Severson? 🙂

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Ben em um anúncio da BZ americana, com todas as versões do seu modelo, por volta de 1992. Imagem: bodyboardmuseum.com

  Ben Severson foi simplesmente durante quase duas décadas o único bodyboarder capaz de parar (e por mais de uma vez) Mike Stewart em competições e também no free surf, e quase todo exemplar das revistas da época tinha uma página dupla com uma propaganda da BZ mostrando ele e sua Ben Board ou T-10 nas ondas havaianas. A BZ era nessa época a única marca que conseguia se colocar no mesmo nível de popularidade da Morey Boogie, e Ben Severson e seu pro-model eram sua principal arma. Ficou notória uma passagem no ano de 1991, onde das 11 etapas do circuito americano (muito forte na época graças ao patrocínio da cerveja Budweiser) Ben Severson ganhou 5 etapas e Mike Stewart ganhou 6, levando o título naquele ano. Por aí percebe-se a importância e atenção que esse modelo trazia.

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Ben Severson em um invertido absurdo com o seu modelo e pés-de-pato Redley, em Off-The-Wall. Imagem: bodyboardmuseum.com

  O segundo motivo de sucesso dessa prancha foi a inovadora combinação de materiais, utilizando um bloco de Arcel, que era novidade numa época em que o PE simplesmente dominava o mercado de pranchas de bodyboard (graças a popularidade da Mach 7-7). O Arcel era um bloco mais leve que o PE, mais rígido, e talvez semelhante em dureza ao PP dos dias atuais, mas que não se adaptava muito bem a água gelada (ficava duro demais), encharcava um pouco e caso dobrasse ou estriasse, acabava por condenar a prancha, vincando e quebrando o fundo e consequentemente o bloco. Mas para a época sua leveza e resistência eram inovadoras, ainda mais nas águas quentes e nas poderosas ondas havaianas. Mike Stewart (na época patrocinado pela gigante Morey Boogie) e seu pro-model “Turbo III” acabaram perdendo espaço no mercado graças a T-10 e todo o seu sucesso, já que a Morey Boogie acabou desenvolvendo pranchas apenas com bloco de PE até o final dos anos 90. No caso a Morey Boogie optou por colocar telas X-Flex nas pranchas para uma maior resistência, mas o peso do PE somado a duas telas em algumas modelos não tinha como concorrer com a leveza e resistência do Arcel das pranchas BZ. Deve-se lembrar também que nessa época o mercado australiano ainda engatinhava, e o esporte era dominado pelos havaianos e pelas marcas americanas como as duas citadas acima.

  As bordas da T-10 também eram diferentes do que havia disponível e era popular no mercado, eram as chamadas “diamond rails”. Eram tiras de PE de alta densidade, similares ao fundo, coladas em duas peças separadas, formando uma borda 50/50 bem afiada. Nas primeiras Ben Boards a rabeta também era colada dessa forma, mas na T-10 já era uma continuação do deck. Na loja na hora da compra toda a construção da prancha impressionava, mas ao longo do tempo e do seu uso essas tiras da borda acabavam descolando e viravam uma “arma” cortante. Não havia ainda o processo de laminação a quente então isso era bem comum de acontecer. Quem algum dia teve ou já viu uma BZ diamond rail sabe bem do que eu estou falando.

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Detalhes das super afiadas bordas “diamond”. Imagem: bodyboardmuseum.com

  Outro detalhe importante era o seu desenho, também incomum para a época. Era uma prancha feita exclusivamente para velocidade, com um bico bem largo (com mais de 13″ no caso da T-10, algo impensável para os modelos atuais), wide point bem alto, canaletas enormes e bordas praticamente paralelas. Funcionava como um foguete em ondas tubulares, e Ben Severson se beneficiava muito bem desse shape, surfando Pipeline como poucos. Era realmente o único a fazer sombra ao já quase imbatível Mike Stewart, e praticamente não existe um vídeo do final dos anos 80 e começo dos anos 90 que não tenha uma session de Ben Severson em Pipeline, andando dentro de tubos enormes.

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Ben Severson e a T-10 em 3 momentos: Em publicidades da BZ no começo dos anos 90, e na capa da Bodyboarding Magazine.  Imagens: bodyboardmuseum.com

  As pranchas BZ Ben e BZ Ben T-10 acabaram se tornando referência no mercado por essa combinação de fatores: por lançar no mercado a idéia do “pro-model”, por seus materiais e também por seu shape bem diferente, e finalmente por ser o modelo de prancha de Ben Severson, um dos maiores nomes do esporte nos anos 80 e 90 junto com Mike Stewart. As pranchas T-10 foram fabricadas no mesmo molde até 97, quando Ben Severson saiu da BZ e criou sua própria marca chamada BSD, lançando pranchas com novas tecnologias (como bordas arredondadas) e que foram muito bem aceitas pelo mercado durante anos. Mas isso já é assunto para um outro post.

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Anúncio da BZ na Bodyboarding Magazine em 1991, com destaque para a Ben T-10. Imagem: arquivo pessoal

Próxima semana tem mais, até lá!

Paulo Fleury

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One thought on “Pranchas que marcaram época: BZ Ben T-10

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