Pranchas que marcaram época: Mike Stewart Turbo III

Como o último post fez muito sucesso, vou seguir com a seção das pranchas clássicas.

Hoje falaremos da grande rival da Ben T-10: a “Morey Boogie MS Turbo III”, pro-model endossado por muitos anos pela lenda viva do esporte, Mike Stewart.

MS Turbo 3 Gear Guide

A Morey Boogie Mike Stewart Turbo III na edição da Bodyboarding Magazine em 1992. Detalhe para as medidas enormes para os dias de hoje. Imagem: arquivo pessoal

  A Turbo III inicialmente foi lançada como um modelo da marca havaiana Turbo e chamava-se Pro/Comp, e depois de alguns anos acabou licenciada como modelo da Morey Boogie já com seu nome definitivo. Ela não tinha nada de muito diferente em relação a materiais ou algo que pudesse diferenciá-la na sua performance dentro d’água, como a BZ T-10 e toda a sua construção não convencional. Sua base consistia na já conhecida e consagrada combinação de materiais da Mach 7-7, e seu grande trunfo era simplesmente a assinatura que vinha gravada no deck, do já imbatível e várias vezes campeão mundial havaiano.

MS VC Turbo 1991

Anúncio da Turbo em 1991, mostrando Mike e a Pro/Comp. Imagem: arquivo pessoal

  A Turbo III era uma prancha com bloco simples de polietileno, o já muito popular “PE”, e tinha deck, bordas e fundo dos mesmos materiais que são comuns até hoje, como o “sealed air” no deck, também chamado “NXL PE” e o fundo feito de um plástico usado como revestimento de bolas de golf, o já conhecido Surlyn.

A prancha na época do seu lançamento era o único “pro-model” da Turbo/Morey Boogie, que apesar de ter um grande time não fornecia esse privilégio para ninguém além de Mike Stewart. Depois de alguns anos como prancha principal da Morey Boogie, o que diferenciava a Turbo III dos outros modelo eram as duas camadas de tela X-Flex, um sistema de tela treliçada colado junto ao fundo e por baixo do deck. Essa tela funcionava como um tensionador que dava mais resistência à prancha quando esta era dobrada e exigida numa cavada por exemplo. Nessa época os stringers ainda não eram comuns, então toda forma de se adicionar resistência aos blocos de PE era válida. Apesar dessa vantagem as telas acabavam deixando as pranchas de PE ainda mais pesadas, já que esses blocos não eram leves e absorviam água.

MS Gyroll 1994

Mike Stewart e a Turbo III em um dos primeiros anúncios do leash Gyroll, em 1994. Imagem: arquivo pessoal

  As telas são comuns até hoje, e por muito tempo foram usadas somente pela Morey Boogie, que tinha o registro da patente nos EUA. Imagino que essa patente venceu, já que a alguns anos marcas como Versus, NMD e Pride vendem modelos com tela no mercado americano. Vale salientar a visão e tecnologia um tanto adiantadas do pessoal da Morey Boogie, que já nos anos 80 e 90 utilizava e desenvolvia suas pranchas com praticamente os mesmos materiais usados hoje. Apenas os blocos que sofreram grande atualização com o desenvolvimento do polipropileno (PP) e todas as suas vertentes, mas todo o revestimento é o mesmo até hoje com base no PE de baixa densidade.

MS Morey ad 1994Anúncio da Morey Boogie em 1994. Imagem: arquivo pessoal

  Mike Stewart conquistou com sua Turbo III a maioria dos títulos no final dos anos 80 e durante quase toda a década de 90, mais precisamente até 1998, ano da criação de sua marca Science e desenvolvimento de suas próprias pranchas. Um detalhe que chamava muito a atenção era uma peça na cor vermelha separada no bico da prancha, com a inscrição “Turbo” e as cores em todo o resto eram muito bem acertadas do ponto de vista estético, com o deck azul, “pinline” amarelo, bordas vermelhas e fundo branco. Como eu falei no primeiro post do blog sobre o mercado dando alguns exemplos, a Turbo III era um exemplo de identidade, já que não era preciso olhar com muito detalhe e atenção para se saber que prancha era aquela de deck azul e bico de outra cor, estava na cara que era uma Turbo III. Mike acabava se destacando de todo mundo até mesmo no campeonato de Pipeline, onde todos acabavam usando a Mach 7-7 por conta da regra de restrição de pranchas imposta pela Morey Boogie.

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Catálogo da Morey Boogie encartado na Bodyboarding Magazine em 1992. Imagem: arquivo pessoal

  Hoje em dia uma Turbo III em bom estado vale mais que uma prancha atual nova, dado o seu valor histórico. Já vi exemplares usados no Ebay sendo vendidos a muito mais de 200 dólares, e existe uma história de que Mitch Rawlins comprou uma Turbo III diretamente com Mike Stewart (seu patrocinador no passado inclusive), para guardar de lembrança. Por aí dá pra se ter uma idéia do que essa prancha representa na curta história de nosso esporte. Houve também pranchas inspiradas na Turbo III, como um modelo da Morey para Chris Won Taloa em 2004 e mais recentemente a já finada Turbo australiana relançou o modelo como “Turbo IV”, com materiais e shape atuais. No final do ano passado o próprio Mike Stewart lançou um modelo com as mesmas cores, chamado Style, inclusive com sua assinatura em amarelo no deck (vide imagem abaixo). Resumindo, é uma prancha que até hoje desperta o interesse dos bodyboarders ao redor do mundo.

Loaded Style(1)

Modelo Style da linha 2014 da Science: um tributo a Turbo III. Imagem: bodyboardking.com

Semana que vem tem mais, falaremos das marcas de surfwear e sua relação com o nosso esporte. Até lá!

Paulo Fleury

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