Rivalidades históricas: Mike Stewart x Ben Severson

Bom, pra quem de repente acompanha o esporte de vez em quando, ou acabou não indo muito atrás de sua história desde o começo, talvez imagine que Mike Stewart dominou completamente a cena competitiva nos anos 80 e começo dos anos 90. Apesar de todos os números apontarem para isso (Mike é 9 vezes campeão mundial, 11 vezes campeão em Pipeline e 8 vezes campeão americano), uma grande rivalidade dificultou e valorizou bastante a escalada de conquistas da lenda havaiana, que já foi até assunto de reportagem da revista Surfer nos anos 90.

Ben Severson, nascido e criado no Hawaii junto com suas potentes ondas, e da mesma geração que construiu a cena competitiva do esporte junto com outros nomes, foi sem dúvida o maior rival de Stewart na época do surgimento do esporte e em sua consequente consolidação como esporte radical conhecido mundialmente.

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Ben Severson em anúncio da fábrica que produzia os blocos de Arcel nos anos 90. Imagem: Arquivo pessoal Bodyboarding Mag

Ben Severson não só foi o maior rival de Mike em campeonatos, mas também disputou com ele a popularidade nas lojas com a criação de um dos primeiros “pro-models” do esporte, assunto já abordado aqui no blog quando desvendamos todos os segredos da prancha BZ Ben T-10. Nessa época as duas marcas mais populares do mundo eram BZ e Morey Boogie, e cada uma tentava alavancar suas vendas com a ajuda de Ben Severson e Mike Stewart. Severson inclusive foi o pioneiro no desenvolvimento de novas idéias e uso de materiais diferentes em suas pranchas.

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Mike Stewart em uma reportagem especial da extinta Fluir Bodyboard, por volta de 1997. Imagem: Arquivo pessoal

Mas foi na cena competitiva que os dois chamaram mais a atenção de todos. No final da década de 80 e começo dos anos 90, os EUA tinham um dos circuitos regionais mais fortes do mundo, senão o mais forte. A cervejaria Budweiser bancava um circuito enorme, com mais de 10 etapas, que juntava Surf e Bodyboarding em disputas por diversos estados americanos, inclusive com etapas no Hawaii. Era o chamado “Bud Pro Tour”. Como ainda não havia circuito mundial de bodyboarding, esse circuito americano ganhava muita importância e espaço na mídia, já que os atletas havaianos eram os expoentes nessa época. Mike Stewart e Ben Severson já eram campeões mundiais, e disputavam bateria a bateria a popularidade e os títulos de um mercado em franca expansão e crescimento. É importante lembrar que nessa época vivíamos o auge do esporte em matéria de investimento, onde até as marcas exclusivas do Surf queriam sua fatia do bolo (assunto também já abordado por aqui!). Apesar desse circuito não favorecer o nosso esporte no quesito ondas (as etapas eram compartilhadas com os campeonatos de surf em ondas como Trestles e Steamer Lane, por exemplo), a premiação era muito boa (5.000 dólares para o vencedor) e o circuito contava com uma ou duas etapas no Hawaii. Guilherme Tâmega também chegou a disputar o Bud Pro Tour e inclusive foi campeão em 1995.

Etapa do Bud Pro Tour 1993 em Ocean Beach, em São Francisco. Destaque para a linha de onda de Mike Stewart, diferenciada desde sempre.

 Esse cenário acabou aumentando ainda mais essa rivalidade, já que Severson e Stewart polarizaram as atenções de mídia, do mercado e nas competições, em uma época em que o Bodyboarding talvez fosse até mais popular e aparecesse mais na mídia que o Surf. No ano de 1991, das 11 etapas do Bud Pro Tour, Mike Stewart ganhou 6 e Ben Severson ganhou 5 etapas. Daí percebe-se a importância e o tamanho dessa rivalidade que polarizou forças na primeira e segunda décadas do nosso esporte.

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Mike Stewart em um el rollo de execução perfeita, e levantando um belo cheque de 5.000 dólares em uma das etapas do Bud Pro Tour 1991. Imagem: Arquivo pessoal Bodyboarding Mag

Como Severson e Stewart são havaianos, suas maiores performances sempre aconteceram em Pipeline, até hoje considerada a onda mais famosa do mundo. Os dois estavam nitidamente a um nível acima de todos os outros, e até hoje coloca-se Ben Severson como o único que era capaz de rivalizar e parar Mike Stewart até a metade dos anos 90. Esses dois nomes definiram como se surfava Pipeline em cima de uma prancha de bodyboard. No YouTube encontram-se exemplos dessas “disputas” e vou colocar aqui trechos de dois filmes dos anos 90, que mostram a importância dessa rivalidade e um pouco da história do nosso tão querido esporte.

Mike Stewart no filme da década de 90 “Volar”: destaque pra onda que começa aos 0:34, talvez um dos maiores exemplos do que é o seu domínio em Pipe.

Algumas ondas de Ben Severson em Pipeline nesse vídeo de 1997.

A partir de 1994 essa rivalidade acabou esfriando, já que Guilherme Tâmega ganhou o mundial em Pipeline e também começou a disputar o circuito americano, ganhando inclusive no ano seguinte. As atenções se voltaram então para o que é até hoje a maior e mais longa rivalidade do nosso esporte, e que será abordada aqui no futuro. Mas pra quem como eu começou a pegar onda no começo dos anos 90, Mike Stewart e Ben Severson dominaram tudo o que girava em torno das competições, notícias e equipamentos, durante mais de 15 anos.

Falaremos de outras rivalidades em breve, até a próxima!

Paulo Fleury

 

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