Review: Passing Through

Mantendo a média de pelo menos um post por mês, hoje falarei um pouco de vídeos e filmes sobre o esporte.

Bom, eu sempre fui um aficcionado por vídeos de bodyboard, desde o tempo de “Bodyboarding Enough Said” e também da série clássica “Bodyboarding Video Magazine”, do californiano Tom Boyle. Na minha época de moleque era através dos vídeos que a gente sabia o que acontecia no esporte em todo o mundo. Como por exemplo: como tinha sido a temporada havaiana, que prancha que Mike Stewart tava usando, como tinha sido o mundial em Pipe e por aí vai. Lembre-se bem que não existia internet, o mercado no Brasil já era bem limitado, e colocar as mãos em uma cópia de um vídeo “gringo” era uma emoção única. Os vídeos em VHS custavam na época 30 dólares nas lojas, e quando eu viajava tentava trazer todos os lançamentos possíveis, ou seja, não era uma brincadeira das mais baratas nem das mais simples. Tenho até hoje um armário cheio dessas fitas, com a maioria dos vídeos mais importantes incluindo os três primeiros NoFriends, que revolucionaram o mercado e a produção de filmes sobre o esporte no final da década de 90.

Mike Stewart destruindo tudo em um dos muitos vídeos lançados nos anos 90. 

Hoje em dia com a popularização e facilidade de produção de conteúdo para a internet, a quantidade de pequenas produções lançadas de graça aumentou consideravelmente, ao mesmo tempo que produções mais tradicionais destinadas a venda acabaram desistindo do mercado. O que antes era um bom negócio e uma ótima maneira de se ganhar dinheiro com o esporte (vide o exemplo que dei da marca NoFriends), acabou se diluindo em projetos esporádicos de alguns atletas ou marcas e limitados ao maior mercado mundial, a Austrália. O mercado americano, que tinha ótimas produções vindas da California simplesmente sumiu depois que os webcasts engoliram tudo através do YouTube e do Vimeo. Mas pro bodyboarder comum isso acabou facilitando bastante, e a maioria das grandes produções está disponível para download de um jeito muito fácil.

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Mas hoje vamos falar de uma das mais esperadas produções do país que já domina o esporte a um bom tempo, a Austrália. Desde o começo do ano passado a revista le Boogie (que já tinha colocado no ar projetos incríveis como “Detours” e “Pitstops”) apoiou e desenvolveu um projeto chamado “Passing Through“, que acompanhou os principais nomes do Bodyboarding mundial, competidores ou não, em diversas locações ao redor do mundo. Lugares com garantia de onda boa (como Indonésia, Tahiti, Portugal e logicamente a Austrália), e também outros não tão tradicionais e que normalmente não fazem parte desse “circuito” aparecem em destaque no filme, como Japão, Nova Zelândia e também o Brasil, mostrando inclusive algumas ondas aqui no Estado de São Paulo. A direção está a cargo de James Kates, que é um nome muito tradicional do free surf na Austrália. Mais uma prova de que muita gente envolvida com o esporte tem competência em qualquer coisa que faça, e nesse caso toda a direção, produção e arte são de se tirar o chapéu.

A produção é de altíssima qualidade, com uma preocupação enorme e incomum com alguns detalhes. Percebe-se uma preocupação recorrente com enquadramento e fotografia, o que garante ao filme um status de super produção, inclusive quando comparado aos filmes de surf. Existe também no começo do filme uma linha de design e estética gráfica (provavelmente vinda dos competentes designers da revista), que ao longo do filme vai sendo deixada de lado em favor das cenas de ação e lifestyle. A trilha sonora se destaca também, tendo sido criada e escolhida junto com bandas locais da Austrália especialmente para o filme, um detalhe bem interessante e singular.

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O visual é muito valorizado durante todo o filme. Aqui um exemplo na Nova Zelândia. Frame: le Boogie/Passing Through

Passing Through não é somente uma das produções mais bem feitas dos últimos anos, com alguns dos maiores nomes do esporte, mas ela também traz de volta alguns picos que já não tinham tanta visibilidade em filmes como antes, como no caso de Teahupoo no Tahiti. Ver Jake Stone, Jason Finlay e Michael Novy descer aquelas ondas com tanta facilidade me fez lembrar dos dois campeonatos que já aconteceram lá em 2000 e 2003, com performances matadoras de Ryan Hardy e Damian King respectivamente. Outras ondas não tão divulgadas também são mostradas, como a pesada e perfeita esquerda em Central Java (com Dallas Singer quebrando tudo) e a Praia do Norte em Portugal.

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Jason Finlay em um dos takes mais impressionantes do filme. Frame: le Boogie/Passing Through

O próprio roteiro e a forma como o filme “caminha” ao redor do mundo tem toda uma maneira única e incomum, indo e voltando dos diferentes lugares e ondas, sem linearidade. Destaque para a session de Jared Houston e Pierre Louis Costes nas ondas de Portugal, simplesmente uma aula de manobras em ondas de muita consequência. Muito bom também ver nomes como Nick Gornall surfando aqui no Brasil, e também a performance do “menino prodígio” Renan Faccini em ondas pesadas. Um atleta brasileiro conseguir espaço em uma produção australiana desse tamanho é algo inédito e tem que ser muito valorizado.

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 Jared Houston indo pra uma junção um tanto pesada aqui no Brasil. Frame: le Boogie/Passing Through

Passing Through é item obrigatório na videoteca de qualquer bodyboarder. Fazia tempo que eu não assistia a uma produção tão caprichada e tão interessante visualmente, com um roteiro e trilha sonora únicos. Passing Through acaba atravessando aquela barreira dos aficcionados pelo esporte, e tenho certeza que vai chamar a atenção mesmo de pessoas que não pegam onda. Junto com “Killer Days” de Mitch Rawlins, é um dos principais filmes de 2014 e vale cada centavo dos 10 dólares que custa.

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Renan Faccini indo pras cabeças. Será que voltou? Frame: le Boogie/Passing Through

Você pode comprar o filme e baixá-lo em HD, pela Itunes Store em qualquer lugar do mundo. Aqui vai o link da loja brasileira. E o melhor, custa bem menos que qualquer fita VHS dos anos 90! Só precisa de um cartão de crédito e uma boa conexão de internet.

Depois é só assistir antes de destruir tudo naquela session. Afinal, quem nunca ficou “pilhado” vendo vídeos antes de surfar? 😉

Até a próxima, te vejo na água!

Paulo Fleury

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English Version

I am still trying to keep up with at least one post each month, and this time we are talking about movies that keep our sport alive.

Since when I was really young I was a video freak. “Bodyboarding Enough Said” and the classic “Bodyboarding Video Magazine” series were standouts from the early “VCR Era”, and once you had your hands on one of the many tapes released at that time, you were in for a blast. That was the only way that here in Brazil you could know and watch what was happening around the globe with our loved sport. How was the past hawaiian season? What board was Mike Stewart riding? How was the Pipeline Championship? All of these questions were answered with a single VCR tape. Remember that there was no internet, the brazilian market was really small (as it still is today), and as I said before getting your hands on one of the latest releases was a huge thing, specially because they were not sold anywhere. You had to rely on friends traveling overseas or bring it on your own. They were sold at 30 dollars each, so it was kind of an expensive thing to buy and collect them all. I still have more than 20 VCR tapes stocked, with a few of the most important releases, including all of the first NoFriends series, that revolutionized the scene and the way videos were made at that time.

Mike Stewart in one of Tom Boyle’s early 90s videos.

Throughout the years, with the popularity of audio and visual production going around the internet, a lot of short videos were released each month, at the same time that traditional producers form the old era kind of started giving up. What was once a good market started fading away with the release of videos via YouTube and Vimeo. Even NoFriends gave up on video producing and editing. But for the common bodyboarder it was an easier and cheaper way to get content, and right now movies from all over the world are available at your desktop or flat TV.

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Today I am writing a short review of one of the most anticipated productions that came from Australia this year. Since the beginning of 2013, le Boogie (a magazine that had already made top notch projects like “Detours” and “Pitstops”) started producing and supporting a new project called “Passing Through”, that keeped track of a few of the biggest names of the sport around the globe. Places that are already known for the quality of their waves (like Indonesia, Tahiti, Portugal and obviously Australia), and also other places that are not your common wave destination, like Japan, New Zealand and Brazil, were explored. James Kates (who is already a well know freesurfer in Oz)  is the director, proving that we have people really talented in our sport with whatever they do. Direction, art and production are top notch as expected.

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Scenery is one of the greatest characters of the movie. Here an example from New Zealand. Frame: le Boogie/Passing Through

The overall result is maybe some of the highest quality visuals ever seen in our sport, and you can easily identify that there was a lot of time spent with details that are not that common on such a small industry. Framing, photography and color grading are just a few to name, giving the film a super production kind of look, even when compared to stand-up surf flicks. You can also check at the beginning that there is a design and graphic line being followed, and as the movie goes on action and scenery just takes it place perfectly. Sound tracks are really unique also as they were produced and chosen together with local bands specially for Passing Through, which is really cool.

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 Jason Finlay in one of the most impressive takes during the movie. Frame: le Boogie/Passing Through

Passing Through also brings back some waves that were not seen anymore as they were used to a few years back, just like Teahupoo in Tahiti. Watching Jake Stone, Jason Finlay and Michael Novy dominate those waves just got me back to the two contests we had over there more than 10 years ago, dominated by Ryan Hardy and Damian King. A few other waves are well portrayed, like the heavy and perfect left in Central Java (with Dallas Singer goin’ huge) and Portugal’s Praia do Norte.

The whole script and the way that the movie “walks” around the globe coming and going all the time is also an interesting part. Standouts also include Jared Houston and PLC in Portugal, teaching a maneuver class in heavy waves. It is really nice to watch Nick Gornall going for some brazilian wedges, and also the performance of “wonder kid” Renan Faccini. To see a brazilian bodyboarder be featured in an australian movie is something outstanding that should be always mentioned.

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 Jared Houston going for a heavy section somewhere in Brasil. Frame: le Boogie/Passing Through

Passing Through is a “must have” for every bodyboarder, and it has more than 60 minutes of high performance action with really nice scenery and perfect takes and lifestyle shots. It definitely gets through that “barrier” that even people who don’t bodyboard will be keen on watching it. Together with “Killer Days” it is one of the biggest hits of 2014 and is well worth the download price.

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 Renan Faccini goin’ huge. Did he made it? Frame: le Boogie/Passing Through

You can download your copy in HD quality via Itunes Store, here is the link. And the best part is that it is just a fraction from what a VHS tape from the 90s used to cost! All you need is a valid credit card and high speed internet.

See you in the water!

Paulo Fleury

 

 

 

 

 

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