Somos diferentes.

Esse mês não vou falar sobre materiais, siglas, fatos históricos ou outros assuntos que já apareceram aqui. Reproduzo aqui o texto que o grande Elmo Ramos me pediu e que eu tive a honra de escrever para a edição comemorativa da Revista RideIt!.

Enjoy!

13 JUL-0477

“Somos Diferentes”

“Nos últimos anos e mais precisamente na última década vimos nosso esporte praticamente “andar em um carrinho de montanha russa”. Da indefinição e queda no começo dos anos 2000, com o fim da revista Bodyboarding Magazine depois de quase 20 anos nos EUA, a criação do visionário Supertour em 2002, e em seguida com o fim da autoridade máxima do esporte, a GOB. Vimos também depois disso uma grande subida com o domínio não só do mercado mundial mas também da cena competitiva pelos atletas australianos (com alguns títulos mundiais) e suas mais de 10 marcas de pranchas e outros equipamentos.

A Austrália tomou então por completo a direção do esporte na criação do maior e melhor circuito mundial já visto, depois da criação de uma nova entidade chamada IBA, e vimos em 2012 o ápice de todo o potencial de mídia e disposição dos atletas em ondas de consequência que esse esporte tem. A internet nos mostrou com uma produção extremamente profissional etapas incríveis em Pipeline, El Frontón, Puerto Escondido e também na Austrália, com disputas em ondas moldadas para o esporte, como Nuggan e duas reedições do “The Box Challenge”, onda usada ironicamente hoje em dia pelo circuito mundial de Surf.

Com a referência das mídias sociais vimos o quanto o esporte é popular no mundo, somando milhares de acessos e “views” nos canais oficiais do YouTube e na página da IBA no Facebook. Tudo parecia caminhar para aquilo que todos a muito tempo esperavam e ainda esperam, que é a explosão do esporte na mídia não especializada e seu merecido reconhecimento com os mais de 20 títulos mundiais aqui no Brasil.

Mas de uma hora pra outra esse cenário desmoronou mais uma vez, a IBA repetiu o caminho percorrido pela GOB e se dissolveu, criou-se então mais uma associação, mas chegamos ao fundo do poço esse ano novamente com o cancelamento da etapa em Pipeline (algo que já tinha acontecido duas vezes desde o primeiro “Pipe Masters” em 1982) e uma enorme incerteza quanto ao calendário competitivo. O Bodyboarding voltou quase a estaca zero, e hoje é chamado por muitos de “o esporte de ação que continua hibernando”.

E trazendo todo esse pequeno histórico nesse texto, na edição comemorativa de uma revista que marcou história no cenário brasileiro e mundial, você que é leitor me pergunta: onde você está querendo chegar com tudo isso?

Hoje vemos o Surf praticado “de pé” dominando a mídia de uma maneira concreta, os integrantes do tal grupo chamado “brazilian storm” estão em alta e aparecem constantemente na mídia não especializada. E aí eis que surge aquela dúvida, e também para muitos um sentimento “estranho”, que não chega a ser inveja, mas sim uma grande vontade de que o Bodyboarding, um esporte jovem na sua concepção moderna atual, mas milenar na sua forma pura, tivesse algo perto desse reconhecimento.

E eu acabo questionando aqui esse sentimento e talvez essa falta que o esporte faz hoje na mídia, apesar de uma visibilidade pontual em canais de televisão fechada. E questiono de uma maneira simples, a partir da visão de quem enxerga o nosso esporte como algo que se pratica acima de tudo, com muita dedicação, muita paixão e pouca preocupação com o que as pessoas pensam ou acham. Tenho certeza de que, se você em algum momento de sua vida escolheu e continua até hoje pegando onda com a ajuda de uma prancha e um par de nadadeiras, é porque você realmente gosta disso. Não é definitivamente para agradar ninguém, não é pra impresionar sua vizinha bonitinha nem para alguém achar que você está “abafando” em um domingo de sol e praia lotada. Se você chegou até aqui e está lendo esse texto, você já é um vencedor.

Se nós chegamos até aqui, se você tem décadas de prática, ou começou a pouco tempo em cima dessa combinação estranha de espumas de diferentes densidades, calçando um pé de pato que muitas vezes machuca seus pés, não foi por causa da propaganda na TV, não foi por causa do “mainstream”, do outdoor no meio da rua, muito menos foi pensando no que sua vizinha acha. Foi porque você ama esse esporte. E nada nem ninguém vai tirar isso de você. Nós usamos equipamentos diferentes, esquisitos até, e isso já mostra como pegar onda de bodyboard é algo único, seja nas cores diferentes da sua prancha, na escolha das ondas ou na sua atitude dentro d’água quando sobe aquela série maior do dia e você rema com todas as forças para pegá-la.

E todo esse sentimento, essa paixão que todos nós temos e essa vontade imensa de manter esse esporte no alto se traduz também no jeito como nos relacionamos com outros bodyboarders, sejam eles amigos, conhecidos ou não. É muito difícil ver algum bodyboarder descendo a onda do outro de propósito, sempre nos respeitamos ao máximo, e é raro não cumprimentar alguém que você encontre dentro d’água, por mais que você não o conheça. Isso é a mais pura tradução de um sentimento de “estamos no mesmo barco, você também é um lutador e venceu como eu”. Então reconhecemos sempre isso dizendo um simples “olá” ou puxando conversa com outros bodyboarders.

O que eu quero dizer com esse texto é simples: nós não precisamos do reconhecimento de ninguém, o tamanho dessa paixão já define nossa força. Com ou sem espaço na mídia, com ou sem brazilian storm, com ou sem campeonato em Pipeline. Naquela manhã fria de inverno, onde o mar está enorme, são 5:30 da manhã e a sua roupa de borracha está molhada do dia anterior, nada disso importa. Você só quer calçar seus pés de pato e pegar onda. O resto é resto.

Nós somos bodyboarders, e isso simplesmente basta.”

Paulo Fleury

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24 thoughts on “Somos diferentes.

  1. Posso estar enganado, mas creio (pelo menos eu não conheço nenhum) que nenhum bodyboarder começou a praticar o esporte por modinha ou por influencia da mídia.
    Como você menciona exatamente no texto “Não é definitivamente para agradar ninguém, não é pra impressionar sua vizinha bonitinha nem para alguém achar que você está “abafando” em um domingo de sol e praia lotada.”
    Quem se lembra em um dayoff ano passado durante o “Billabong Pipe Master” em meio ao caos surge um brasileiro e deixa a galera na areia de boca aberta? Porém não é um brasileiro do surf “em pé” e sim um bodyboarder, ídolo de muitos Guilherme Tamega que é referencia muito antes de existir o tal grupo chamado “brazilian storm”.
    Excelente texto Paulo, e que todos os bodyboarders jamais percam esse sentimento e paixão pelo nosso esporte.
    Boa Ondas

    • É Daniel, mas a realidade do surf em pé é bem diferente do Bodyboarding e existe sim muita gente que surfa e começa a surfar por “modinha”, e foi esse o meu contra-ponto… Exemplos do destaque dos bodyboarders frente aos surfistas são comuns até, e a lenda Mike Stewart já foi assunto inclusive na revista Surfer nos anos 1980. O Bodyboarding acaba sempre andando nessa linha abaixo do mainstream da mídia, e no fim eu acabo enxergando isso como algo bom, na medida do possível. Obrigado por acompanhar o blog, grande abraço!

      • Sim, realmente existe mas o que eu me referi é ao surf em pé. No bodyboarding vejo muito pouco isso acontecer.
        Creio que alguém possa iniciar no esporte por assistir no canal off o prancha e pé de pato, não por estar passando na TV e sim pela radicalidade do esporte, vendo tubos e aéreos de tirar o folego.
        Sabemos que existe uma “richa” entre o surf em pé e o deitado, e infelizmente até hoje ainda escutamos algumas piadinhas dentro e fora d’agua.
        Mesmo estando abaixo do mainstream da mídia como você disse, sempre surge algum bodyboarder moedo as ondas e se destacando frente ao surf em pé para mostrar o potencial do nosso esporte e deixar bem claro que merecemos respeito.
        Grande Abraço!

  2. Cara, se você ainda ouve piadinhas tá caindo em ondas ou mares pouco favoráveis ao nosso esporte, ou andando com as pessoas erradas, hehehe. Eu duvido que alguém venha falar alguma coisa pra você em um mar de 1,5m pra cima. Eu mesmo já cansei de ouvir “hoje está bom pra vocês do bodyboard” de vários surfistas sentados confortavelmente na areia, em dias clássicos de ondas grandes. Foi por isso que eu disse que é até interessante vivermos nesse cenário underground, nos permite de alguma maneira surfar tranquilamente em dias grandes, junto das pessoas e amigos próximos da gente, já que a grande maioria dos surfistas “stand-up” se conforma com condições pequenas e médias, enquanto a maioria dos bodyboarders (pelo menos os que eu conheço) sempre quer o mar mais pesado possível. Enquanto o esporte não se distanciar do Surf e sair dessa sombra, nunca seremos o que realmente queremos ser. “Se destacar em relação ao Surf”, como você mesmo disse, não vai adiantar nada na minha opinião. Como eu disse no texto, somos diferentes, surfamos de uma maneira diferente, usamos equipamentos diferentes, de cores diferentes. Porque ficar sempre querendo se comparar ao Surf? Temos que cortar esse cordão o quanto antes. A convivência sempre existirá, mas pode ter certeza que o dia que esquecermos que o Surf existe, o nosso esporte crescerá e se tornará algo do tamanho que merece.

    • Você esta certo, realmente o cordão deve ser cortado e não devemos nos comparar.
      As piadinhas normalmente acontecem em mares menores, até porque com mar de 1,5m é difícil encontrar com algum deles na água, chega a ser até engraçado e normalmente os que estão na água são aqueles que respeitam.

      • Exatamente, e em alto nível todos se respeitam. Já viajei bastante ao longo dos mais de 20 anos que eu pego onda, e quando o mar fica “grosso” geralmente quem gosta e sabe surfar ondas com consequencia se respeita independente do “veículo”. Obrigado mais uma vez pelo acesso e pelos comentários, pra mim é um prazer conversar com a galera, grande abraço!

  3. Maravilha este blog! Encontrei hoje, estava fuçando na internet sobre pranchas de bodybord e acabei caindo aqui. Já li vários posts e este é realmente muito especial. Como você, tenho algum tempo nas ondas, são uns 25 anos de bodyboarding. Posso seguramente dizer que é muito amor por este esporte e sinto-me hoje ainda mais fissurado! Sou paulista, moro na capital, e com as responsabilidades da família e trabalho tenho pego onda uma vez por semana nos “bate e volta” pro Guarujá ou litoral norte.
    Meus amigos são todos surfistas, pegam de pé, e nas vezes que vou para praia com eles é sempre um dilema: eles querem as ondas mais cheias, eu as mais pesadas e buraco. Muitas vezes acabo indo sozinho…hehe. Poxa, seria legal encontrar com a galera do bodybord em uma destas quedas. Onde costuma pegar onda?

    Abraço e parabéns pelo blog!

    • E aí Alexandre, primeiramente obrigado pela audiência no blog, a cada dia que passa vejo mais e mais gente acessando e isso me deixa feliz e mostra como falta conteúdo sobre nosso esporte na Internet!

      Pego onda sempre no Guarujá, me adiciona lá no Facebook e a gente combina um bate-volta, esse negócio de andar com surfista não tá com nada! Hehehehe

      Grande abraço!

  4. Boa! Mais um belo texto Paulo. Boas ondas para todos nós! Quando vier aqui para Região dos Lagos no RJ e quiser marcar uma caída…

  5. “é raro não cumprimentar alguém que você encontre dentro d’água, por mais que você não o conheça”. Isso é a mais pura realidade, sempre que entro no mar troco varias ideias com a galera, sem nunca ter visto a pessoa na vida. Cara que texto irado, é esse mesmo o sentimento. E como você disse, talvez ficar no underground seja até bom mesmo, o ruim mesmo ficar por conta de não se encontrar produtos relacionados com facilidade. Mas é isso aí, não vamos deixar o esporte morrer!!!

    • Valeu Edu! Em relação aos produtos a internet ta aí pra facilitar isso, só dar uma pesquisada mesmo e ir atrás! Qualquer dúvida sobre equipamentos estamos ai, abraço!

  6. A alguns meses já to de olho em umas pranchas de BB pra voltar a praticar e seu texto realmente me animo texto que passa um sentimento que sentia quando morava na praia e podia fazer sempre agora que mudei no começo desanimei mas agora a saudade bate !
    Então aqui vai uma duvida o que acha da prancha super classic pro da b2br vale a pena pra voltar pro esporte comprar ela ou você recomenda outra?

    • E aí Mario, tudo bem? Me desculpe a demora enorme em te responder. Em relação a sua dúvida, a combinação ideal de materiais na minha opinião é com fundo de Surlyn (e não HDPE) e com o deck de PE de baixa densidade, que as fábricas acabam chamando de NXL (non-Crosslink). A prancha Classic LTD da B2BR tem esses materiais, apesar dos 2 stringers que eu acho totalmente desnecessários. Pela proximidade de preço eu daria uma olhada em algum modelo da Stealth ou Versus que eles ainda tem a venda, são pranchas bem superiores. Espero ter conseguido ajudar, qualquer outra dúvida fique a vontade. Abraço!

  7. Fala Paulo.
    Feliz ano novo camarada.
    Quando teremos novas publicações ??? Não vai sair nada sobre Cook.??? rsrsrs
    Grande Abraço

    • E aí Daniel, feliz ano novo pra você também… Acho que até o final da semana teremos um post novo sobre nadadeiras… Ilhas Cook permanecerá em “segredo” ainda por algum tempo, já existe informação suficiente disponível na minha modesta opinião, só ter paciência no Google que você acha! Valeu, abraço!

      • Valeu Paulo. O “segredo” é bom, mas hoje em dia como você mesmo mencionou o Google e as redes sociais estão ai e já não torna as coisas mais tão em segredo, porem quanto mais preservarmos melhor. Como já estou um bom tempo pesquisando sobre a ilha, é sempre bom ler algo ou até mesmo ver uma foto a mais. Mas a pergunta foi mesmo por curiosidade.
        Aguardarei o novo post sobre nadadeiras.
        Abraço.

        • Eu queria sim fazer um post sobre Cook, mas acho que é ainda um dos poucos lugares que não foi dominado pela indústria das viagens de surf então prefiro deixar nas entrelinhas. Meu amigo que mora lá já fala que não precisa de muito mais gente indo pra lá, tá ótimo do jeito que tá. 🙂 Videos e fotos já invadiram a internet a algum tempo, não é novidade pra ninguém. Abraço!

  8. Paulo, parabéns pelo blog irmão! Sem duvida o melhor conteudo da net na nossa terra brazilis!
    Continue nos previlegiando compartilhando suas experiencias e conhecimento.
    Logicamente vou tirar minha casquinha aqui, rsrsrsrs…. Se puder me da uma luz, agradeço.

    Vamos lá, estou com 4.3 rodados hoje e surfei dos meus 12 aos 23 anos qdo parei pois mudei, me formei, fiquei longe do mar, etc… Mais quero voltar a ser “diferente” como vc relatou acima novamente, e mais, quero levar meu filho pra ter essa sensação fantástica q é estar em harmonia com o oceano.

    Sou do tempo q ou vc usava uma match 7ou usava uma match 7 rsrsrs… Chequei a trazer de fora uma match 10, um landau, e acredite, tinha um amigo q surfava com uma prancha de resina, o verdadeiro toco, flexibilidade zero!!! Pra nao me alongar, fiquei meio louco depois de tantas opções q tem hj, e queria sua opnião: Eu 1,83, voltando das trevas, pesando 103kg; Meu filho, 12 anos, 1,60 e 60 kg. To ligado na composição de deck, pele e composto sugerido por vc….

    Pra ele to pensando em uma prancha em PE, basica, tamanho 39 ou 40, o q vc me diz? Vi as iniciantes da B2br, uma found iniciante de PE 39, uma pride em PE tamanho 40… Descartei as gênesis… Ou melhor uma PP mesmo? Tem a Erizos jr tbm, mais o preço to achando salgado pra começo… + de 800 pila!
    Pra mim tenho 2 opções em 42,25: uma VS Tom Hardy ou uma Erizos Santiago Sanchez, ambas com as especificações indicadas por vc…. Ah e uma Nomad Novy tbm, só q 42…O que vc me diz das pranchas Erizos? O tamanho ta ok? Uma 42 “andaria” com uma pluma como eu em cima? Kkkkk
    Ah, ondas vao ser de fds e feriados, entre guaruja e rj…. Se ele pegar gosto, ai a coisa pode ir longe….

    Saudações pra vc e um ano de muito astral e altíssimas ondas!

    Vlw. Abraço,

    Toni

    • E aí cara, tudo bem? Em primeiro lugar muito obrigado pelo feedback, agradeço sempre e isso me motiva a continuar escrevendo, mesmo que numa frequência menor do que a que eu gostaria.
      Vamos lá, primeiro a prancha pro seu filho. Eu acho que como primeira prancha uma Genesis tá ótimo, eu sou crítico de pranchas muito duras em ondas de alta performance, pra aprender acho que são pranchas muito boas até. Único problema de pranchas mais simples é que geralmente são de PE e vão acabar sendo meio pesadas, mas de resto acho totalmente válido. Pode ir sem medo, se seu filho pegar gosto aí parte pra uma de PP e Surlyn.
      Pra você eu recomendo uma prancha 42.5 (pelo peso), acho que o Walter lá da W9 recebeu pranchas desse tamanho, e qualquer modelo vai te atender bem. A marca Erizos não é muito conhecida no Brasil mas suas pranchas são feitas na mesma fábrica das GTBoards, Funkshen e Found inclusive, são pranchas anos luz a frente de qualquer coisa nacional. A VS Hardy é uma boa também, feita na melhor fábrica do mundo na Indonésia. Tem também uma Found 42.5 na B2BR mas são pranchas extremamente estreitas, muito específicas demais pra quem quer voltar a surfar. Fora isso sempre falo que prancha é acima de tudo costume, as vezes a gente acaba achando a combinação de tamanho e shape meio que por acaso. Se tiver mais alguma dúvida fica a vontade, espero ter ajudado! Acho que é isso, quando for surfar no Guarujá aparece lá no canto esquerdo do Pernambuco e a gente pega umas ondas e conversa mais. Abraço!

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