Nadadeiras e pés-de-pato: história e o mercado atual

Depois de quase 5 meses sem posts, estou aqui de volta abrindo 2016 com um assunto bastante discutido não só em relação à funcionalidade mas também no quesito estilo: nadadeiras ou os também chamados por muitos de “pés-de-pato”.

Desde o começo da história do esporte as nadadeiras foram parte essencial do conjunto de equipamentos de um bodyboarder. O jeito de surfar deitado já vinha desde os paipo boards no começo do século 20, mas o uso de nadadeiras apareceu mesmo com a popularização do bodysurfing (surf de peito) e das pranchas de bodyboard a partir de meados dos anos 70. Ondas cada vez mais extremas começaram a ser surfadas e uma maior força e propulsão na remada eram necessários, com diferentes formatos e desenhos sempre surgindo. Até hoje vemos novas tentativas de design ou composições diferentes de borracha, como por exemplo os pés-de-pato Vulcan lançados pela Pride ano passado.

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Em certos momentos o uso das nadadeiras é essencial e vai dizer se aquele drop ou tubo será completado. Aqui Mike Stewart cravando toda a sua técnica e nadadeiras num Pipeline de sonho. Fonte: IBA World Tour / Sasha Specker

As nadadeiras são divididas basicamente em dois tipos: os assimétricos (onde um pé é diferente do outro, como os Churchill) e simétricos (como o Voit, Viper “clássico” e “MS” e também o Kpaloa). Essa escolha na minha opinião vai muito do gosto pessoal, seja na busca de um estilo ou na adaptação a um modelo específico. Já usei os dois tipos e a principal diferença prática é que os modelos assimétricos acabam forçando um pouco o joelho para fora graças ao desenho da sua barbatana, maior de um dos lados.

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Exemplos de modelos simétricos: Voit, Kpaloa, Viper e MS Viper. Fonte: Google.com e Bodyboardking.com

Até hoje eu imagino que o modelo mais famoso e utilizado no mundo continua sendo o Churchill e suas diferentes versões criadas e copiadas. Originalmente desenvolvido por Owen Churchill nos anos 1930/1940, esse modelo se tornou popular graças ao seu uso pelas forças armadas americanas, e também pela produção do mesmo pela fábrica Voit a partir dos anos 1960. O formato emulado da cauda de golfinhos e baleias faz muito sucesso até hoje, apesar de a funcionalidade não fazer muito sentido lógico a partir do momento em que se divide essa anatomia ao meio nos pés de um ser humano.

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Foto de um exemplar do primeiro modelo do Churchill, criado na década de 1940. Fonte: swelllinesmag.com

Mesmo tendo uma remada considerada média se comparado a um Viper ou Voit por exemplo, o Churchill funciona muito bem a partir do momento que se entra na onda, com a parte mais longa da barbatana virada para a parede funcionando como uma quilha principalmente em momentos críticos. Além disso a principal característica que garante sua popularidade é o extremo conforto, com um “pocket” muito macio e ainda assim mantendo uma boa resistência para a remada, além de ser super leve. É realmente difícil não se identificar imediatamente com um modelo usado a tanto tempo e que fornece tanto conforto.

Cores clássicas e novas combinações são vendidas até hoje e acabaram copiadas por diversas marcas que se favoreceram da aparente falta de uma patente, e hoje mais de 4 ou 5 marcas fabricam modelos praticamente idênticos, mudando pequenos detalhes estruturais e cores. Nomes como Stealth, Limited Edition, Found, Pride e a marca chilena Erizos tem suas versões análogas ao Churchill com combinações de cores únicas sempre vinculadas a seus respectivos times de atletas. Marcas tradicionais e mais antigas também acabaram se rendendo aos modelos assimétricos inspirados no Churchill, com a Viper por exemplo lançando seu modelo “Delta” mais uma vez sob a chancela do rei Mike Stewart.

 

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Exemplo de três diferentes cópias do famoso Churchill: Stealth S2, Limited Edition e Ally Fins. Fonte: Bodyboardking.com

Do desenho original pensado por Owen Churchill foram desenvolvidas e incorporadas mudanças por essas diferentes marcas, seja no formato e recorte da barbatana ou nas saídas de água. A Redley, marca brasileira bem conhecida até hoje, surfou esse sucesso das nadadeiras duas vezes, primeiro replicando com perfeição o Churchill americano, e depois criando um desenho próprio em 1994, famoso nos pés de Guilherme Tâmega e do também campeão Andre Botha até alguns anos atrás. Depois disso a Redley abandonou completamente o esporte deixando inclusive de vender seu modelo.

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Propaganda da Redley na Riptide australiana por volta do final dos anos 1980. Somente Mike Stewart e Ben Severson faziam parte do seu time. Fonte: Bodyboard Museum

Acho que hoje fala-se muito em cores e estilo, então a funcionalidade das nadadeiras acabou ficando um pouco em segundo plano. Mas acredito que esse é um assunto mais pessoal ainda que as pranchas, porque trata bastante do conforto muito mais do que cores, tecnologia ou coisas do gênero. De nada adianta ser a melhor nadadeira se ela não se encaixar direito no seu pé e te machucar logo no começo da queda. Por isso vale aquele mesma máxima das pranchas, teste o máximo de modelos que você conseguir, muitas vezes estamos usando o equipamento errado e nem se tem idéia disso.

Hoje no mercado nacional temos algumas opções, mas ainda nada comparado às lojas da Austrália ou EUA e seus mais de 15 modelos diferentes e um monte de cores. A marca brasileira mais tradicional continua sendo a Kpaloa, que fabrica o mesmo modelo simétrico já a algum tempo. Como eu disse anteriormente a Redley optou por parar já a alguns anos a comercialização do seu modelo, mas Guilherme Tâmega o trouxe de volta com o seu GT Fins. Cópias do tradicional Churchill também podem ser encontradas aqui no Brasil, como o Classic Fins da B2BR e também o Erizos Fins vendido pela loja carioca WNine.

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Ben Severson usando o que parece ser uma versão customizada e cortada de um Redley por volta de 1992. Fonte: Arquivo pessoal Bodyboarding Magazine

Bom, só aí já dei 4 opções então fica de novo a dica de testar o máximo de modelos possíveis. Eu já uso a quase 15 anos o Churchill e suas vertentes e cópias descaradas, ainda acho o mais confortável e leve. E o mais importante: se encaixou bem no meu pé. Atualmente tenho um par de Limited Edition trazidos dos EUA por um amigo, e é sem dúvida um dos mais confortáveis, mantendo a força na remada.

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Guilherme Tâmega numa clássica publicidade da Redley pro mercado americano. Foto: Arquivo Pessoal Bodyboarding Magazine

É isso, no próximo post abro mais uma seção diferente aqui no blog, graças a ajuda da loja W9 do Rio de Janeiro. Vou fazer o review com “test-drive” e tudo mais de uma prancha e colocar todos os detalhes aqui, aguarde!

Até a próxima, te vejo na água!

Paulo Fleury

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