Test-Drive: Erizos Santiago Sanchez Superior PP 42.25

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Como prometido nos dois últimos posts inauguro aqui mais uma seção do blog, testando equipamentos e colocando minha experiência de 25 anos no esporte em um test-drive.

No começo desse ano recebi pelo Facebook o contato do Walter Andrade, dono da loja W9 no Rio de Janeiro. Ele em primeiro lugar me parabenizou pelo blog, e depois perguntou se eu aceitaria uma prancha do portfolio da loja dele pra eu testar.

Confesso que a princípio fiquei bastante surpreso. Esse blog acabou surgindo como algo nada muito sério, comecei a escrever por sugestão de amigos e também com a ideia de compartilhar um pouco esse meu interesse (as vezes até um pouco exagerado) pelo esporte. Nunca imaginei que alguém iria algum dia me oferecer qualquer tipo de equipamento pra eu dar minha opinião, então fiquei super entusiasmado e muito lisonjeado. Lógico que aceitei a proposta do Walter na mesma hora e combinamos detalhes do envio da prancha pra São Paulo.

Comecei a pegar onda no verão de 1991, e por isso já acompanhei muitas fases desse esporte. Me lembrei então da edição anual da revista americana Bodyboarding que trazia um teste com pranchas de todas as marcas disponíveis no mercado americano naquele ano, o chamado “Test Pilot”. Dois bodyboarders profissionais da época eram chamados para testar algo em torno de 20 pranchas, algo inédito e que acho que nunca mais foi replicado até hoje. Um pequeno texto era escrito junto com detalhes dos materiais e preço das pranchas.

MS Turbo 3 Gear Guide

Exemplo do Gear Guide no ano de 1992. Aqui a lendária Turbo III. Fonte: Arquivo Pessoal BBing Mag

Antes de começar a falar sobre a prancha deixo bem claro aqui que em nenhum momento me foi exigido um post ou qualquer opinião direcionada em contra-partida para o envio dessa prancha pela W9. Faço esse relato de livre e espontânea vontade, com a mesma naturalidade que sempre abordei os assuntos e respondi as dúvidas de todos nos comentários. E atesto a seriedade e profissionalismo da W9 em um mundo que já tem gente demais querendo passar por cima dos outros. Parabenizo aqui o Walter pelo profissionalismo e dedicação enorme em tentar manter o mercado funcionando com produtos importados, mesmo em tempos difíceis como o atual e uma cotação do dólar absurda.

Bom, vamos lá. Conversando um pouco com o Walter pelo FB falei que usava pranchas 42.5” (tenho 1,93m e 83kg), e ele me disse que tinha uma 42.25” pronta pra ser enviada. Como eu sei que tamanhos acima de 42” não são a grande maioria dos modelos comercializados (a Pride por exemplo nem tem modelos 42.5” disponíveis), aceitei e recebi como mais um desafio, pois imaginei que talvez pudesse ficar um pouco pequena. Mas no fim acabou dando certo. A prancha que eu recebi para o teste é da marca chilena Erizos, modelo Santiago Sanchez, com bloco de PP, sem tela e com o sistema “tridente” de 3 stringers. São 2 stringers curtos nas laterais próximo às bordas, começando na rabeta e indo até quase a metade da prancha, e um de tamanho padrão no meio.

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A princípio fiquei um pouco receoso pelo fato de ter esse sistema, basicamente por dois motivos: a dureza da prancha em geral e seu respectivo peso. Mas nesses dois quesitos acabei surpreendido, já que ela tem praticamente o mesmo peso de uma prancha com 1 stringer simples, e não me pareceu tão dura dentro d’água, apenas com aquela dureza tradicional de uma prancha nova. Esse sistema permite também que o bloco seja um pouco mais fino que o normal, o que garante o peso semelhante a outras pranchas e ainda dá aquela segurança a mais na pegada.

Lembro aqui mais uma vez algo que eu sempre digo aqui no blog: prancha de bodyboard NÃO foi feita pra durar eternamente, desconfie daquele prancha super dura com bloco mais grosso e meia dúzia de stringers.

A Erizos é uma marca chilena muito popular em seu país de origem, e tem todas as suas pranchas fabricadas na fábrica Agit em Taiwan. Outras marcas conhecidas no mercado mundial são fabricadas lá, caso das GT Boards, Funkshen, Nomad e QCD (até esse ano pelo menos), entre outras. Os materiais são de alta qualidade e talvez a construção geral da prancha só fique atrás do padrão das NMD/VS fabricadas na Indonésia, por conta do acabamento que é pouca coisa inferior. No mais são pranchas anos-luz a frente de qualquer prancha nacional, e utilizam a combinação clássica de Polypro, Surlyn e deck de PE/8lb mais aberto, também chamado de NXL. Ou seja, no quesito materiais e “sanduíche” escolhido, está mais que recomendada antes até de tirar do plástico.

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Quanto ao shape, a Erizos SS tem um desenho bem reto e quadrado, com bordas quase paralelas e um wide point médio, que figura mais ou menos em um meio termo entre a largura de uma NMD Ben Player e uma Found MR. Isso acaba por garantir bastante velocidade nas cavadas, mas tira um pouco o aspecto mais versátil que eu acabo sempre escrevendo aqui no blog. Vendo alguns vídeos do argentino Santiago (que assina esse modelo e que você pode ver abaixo) entendi bem o porque desse desenho, com ondas bem rápidas e com muita força sendo surfadas por ele em Teahupoo e em outras ilhas no Pacífico.

 

 

Não cheguei a pegar nenhum mar muito grande (graças ao verão bem devagar aqui em São Paulo), mas em ondas em torno de meio a 1 metro percebe-se que a prancha tem uma cavada super rápida e responde muito bem aos comandos. Como ela tem uma largura máxima um pouco limitada, talvez não funcione tão bem em ondas mais cheias e que não “empurram” tanto. Vai acabar faltando flutuação pra surfar aquele dia mais “força barra”. Mas ao mesmo tempo em partes da onda com bastante força a prancha se destaca acelerando muito bem e te levando até o lip com bastante precisão.

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O verão e começo de outono foram meio devagar aqui em São Paulo, mas ainda deu pra colocar a prancha na água. Foto: Rodrigo Nattan

Destaque especial para o sistema de 3 stringers, já que como não existem stringers embaixo dos cotovelos (como em uma prancha com dois stringers por exemplo), a estrutura superior da prancha acaba se comportando da mesma maneira que uma prancha com stringer simples, flexionando nas cavadas e projetando em direção ao lip. E nas pancadas mais fortes os stringers laterais se encarregam de não deixar a prancha dobrar e torcer em volta do stringer central. Imagino que isso ao longo do tempo garanta a integridade da prancha e também permita seu uso em locais com água bem quente, caso do Nordeste brasileiro. Esse modelo conta também com os contornos no deck ao longo das bordas até o bico. Achei bem funcional já que ajudam bastante na hora de voltar as manobras segurando as bordas.

IMG_1499_1Detalhe do acabamento acima da média

Recomendo esse modelo pra dias de ondas bem cavadas e rápidas ou dias grandes em ondas um pouco mais cheias, onde você vai fazer cavadas longas e trocar bastante de borda. Essa prancha funcionaria muito bem em ondas como São Conrado no RJ e também na Cacimba do Padre em Fernando de Noronha. Ondas rápidas, com bastante força, que realmente te empurram e que muitas vezes não dão muito tempo nem permitem muito espaço pra cavadas longas e mais lentas.

Já naqueles dias de mar mais fraco recomendo uma prancha mais larga que te dê mais flutuação e que não exija tanta força pra voltar as manobras. Lembro aqui também que usar uma prancha muito estreita ou pequena em ondas fracas acaba comprometendo sua durabilidade, já que você acaba forçando bastante a prancha pra entrar na onda e completar manobras.

 

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Erizos Santiago Sanchez Superior PP 42.25”
Bloco: Polipropileno 1.9 sem tela
Deck: Polietileno 8lb NXL
Fundo: Surlyn
Stringers: Sistema tridente com 3 stringers, sendo 2 curtos e 1 longo
Rabeta: Crescente
Bordas: 60/40 

Preço: R$ 1.290

Prós: Durabilidade, flexibilidade mesmo quando nova, construção geral muito acima da média nacional.

Contras: Desenho não tão versátil, sistema de stringers pode ser muito duro para alguns dependendo da temperatura da água.

IMG_1501Testando a Erizos SS em mais um dia pequeno aqui em SP. Foto: Rodrigo Nattan

Agradeço novamente ao Walter Andrade e ao Leonardo Teixeira da W9 pela oportunidade e recomendo 100% a loja deles pra quem precisa de qualquer tipo de equipamento para a prática do Bodyboarding.

http://www.wnine.com.br

Acho que é isso, continuo respondendo dúvidas e aceitando críticas nos comentários. Vou tentar conseguir outras pranchas para teste, mesmo sabendo que o mercado aqui no Brasil é super pequeno e limitado.

Fotos da prancha tiradas por mim, e agradeço mais uma vez ao Rodrigo pelas fotos do teste na água.

Te vejo na água, até a próxima!

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