Review: Delta Viper 2.0

Bom, como eu imagino que muitos aqui também me acompanham no Instagram, devem ter visto que no final do ano passado recebi uma proposta para ser representante da Science Brasil aqui em São Paulo pelas mãos de um dos maiores atletas da história do esporte no Brasil, o capixaba Magno Passos.

Ainda estou adaptando minha rotina de trabalho diário durante a semana aqui em São Paulo (trabalho como diretor de arte numa produtora de vídeos) junto com essa nova tarefa, então os posts por aqui ficaram meio parados mesmo, não teve jeito.

Além de ter ficado muito lisonjeado com esse convite, percebi uma grande oportunidade de usar equipamentos que eu sempre achei dos melhores do mercado (e que muitas vezes já usava), não só pela enorme qualidade mas também por toda a história e conhecimento da lenda viva chamada Mike Stewart. Nunca escondi de ninguém que a minha própria história e experiência no esporte é em grande parte graças ao Mike, a influência dele na minha geração foi enorme. Eu cresci vendo todo o domínio do havaiano durante anos a fio, tanto na cena competitiva mas principalmente em tudo o que se relaciona a estilo, linha de onda, e a partir de 1998 com equipamentos, no lançamento da Science Bodyboards (que na época foi inicialmente lançada como “Mike Stewart Science”).

O Delta Viper 2.0 além de bem funcional, tem um design limpo e bonito.

Foto: Science Brasil

No final de 2017 a Science Brasil recebeu um enorme carregamento de pranchas, como muitos já devem ter visto nas minhas postagens no Instagram, e também nas principais lojas online disponíveis aqui no Brasil. Logo em seguida chegou no Brasil (e praticamente ao mesmo tempo que no resto do mundo) a nova versão do pé de pato assimétrico assinado pelo Mike, o chamado Delta Viper. Eu já tinha usado a primeira versão durante uns meses em 2014/15, mas acabei não me adaptando muito por ter ficado justo demais no meu pé.

Aqui faço um parêntesis essencial: cada pessoa tem os pés num formato bem pessoal, quase que único. Tamanho (comprimento) é apenas uma de muitas variáveis na hora de um pé de pato ou nadadeira te servir direito e não incomodar dentro d’água. O que eu escrevo aqui é em relação a minha experiência ao longo de todos esses anos com o formato de pé que eu tenho, ok? Recomendo sempre provar o pé de pato antes da compra, se possível obviamente.

Usei durante muito tempo os famosos Churchill e suas variações. Sempre me serviram como uma luva, o tamanho ML se encaixa perfeitamente no meu pé 42. Tive também os Limited Edition, Stealth S2/S3 e até o recente Vulcan. Mas os preferidos sempre foram os Churchill tradicionais ou os australianos Limited Editions, pela boa relação entre dureza, propulsão e conforto.

Um dos meus primeiros dias usando o Delta Viper, com boas ondas aqui em SP.

Foto: Rodrigo Nattan

Quando a Science Brasil me mandou os novos Delta Viper, fiquei bem empolgado pra usar principalmente por ter visto Mike falando num vídeo que a principal mudança tinha sido na parte interna, o que a gente acaba chamando de “foot pocket” (na tradução direta seria algo como o “bolso onde vai o pé”). O pocket teria ficado mais arredondado na sola (apertando menos o pé em geral), e o durômetro (que é a relação de dureza das borrachas em geral) tinha sido revisto também. Imaginei que essa versão poderia ser um pouco mais larga por dentro e que aí acomodaria melhor meu pé, que ficava com o dedão meio esmagado por cima na versão antiga. Fora também as cores bem bonitas e diferentes (o azul/amarelo é o meu preferido). 🙂

As principais diferenças do Delta Viper em relação ao Churchill são as saídas de água direcionais (nada daquele buraco pouco funcional em baixo) e o desenho mais reto da barbatana, com um “dente” na parte virada pra dentro. Esse dente garante mais controle em ondas cavadas, já que essa parte interna da perna “de fora” é a que fica mais tempo em contato com a água, junto obviamente com a sua perna “de dentro”. Outra característica marcante é o fato da barbatana ser um pouco mais curta que o normal, isso garante sempre uma pernada mais curta e rápida, mas ainda bem eficiente. O que eu percebi é que naquela pernada forte pra entrar na onda você acaba batendo a perna mais rápido e em movimentos mais curtos, com uma propulsão ótima. A ideia nesse momento é acelerar o mais rápido possível (pra chegar na mesma velocidade da onda) e o Viper é perfeito nesse quesito. Conversei com dois amigos que também tão usando o Delta Viper e esse relato da pernada mais curta foi idêntico e positivo. Na onda o Delta Viper é bem leve e segura super bem na parede e em despencadas. Na maioria do tempo dentro d’água nem lembrei dele, o que é um ótimo sinal.

Saídas de água direcionadas e a tal ponta interna que segundo Mike Stewart garante mais controle. Foto: Science Brasil

Quanto ao tamanho e o fato de apertar os dedões, no primeiro mês isso aconteceu um pouco, mas agora já parece que a borracha pegou um pouco o formato do meu pé, encaixando como uma luva. Já me sinto 100% adaptado e nem lembro mais dos Churchill que eu tanto gostava.

Outro detalhe que eu tenho visto muito por aí e queria comentar aqui. Vende-se muito a tal ideia do “made in Malaysia” (fabricado na Malásia) / borracha da Malásia, que apenas as nadadeiras fabricadas lá são boas e etc. Isso começou depois que a Morey passou a fabricação dos Churchill pra China pra cortar custos, e a qualidade dos pés de pato deles caiu imediatamente. Os Delta Viper são fabricados em Taiwan, e eu achei a borracha e a construção geral deles muito boa, no nível de outras nadadeiras, com a borracha super lisa e bem acabada (o que diminui a possibilidade daquelas feridas).

O Delta Viper é leve e não incomoda em dias pequenos ou trocas de borda, como nesse bat-invert aqui. Foto: Rodrigo Nattan

Então o que eu reforço aqui é o fato de que apenas o lugar onde é fabricado não é uma garantia 100% da qualidade. Uma fábrica pode comprar borracha na Malásia e fabricar seus pés de pato em Taiwan, como é por exemplo o caso do Delta Viper. O ideal é sempre que possível ver ao vivo e provar o pé de pato na loja.

Por enquanto não tenho nenhum ponto negativo como destaque no Delta Viper, e também só recebi feedbacks positivos de quem já está usando. Outro detalhe legal é o preço encontrado nas lojas, abaixo de concorrentes nacionais por exemplo. Ponto pra Science Brasil que conseguiu disponibilizar um produto de alta qualidade no mercado nacional (com todos os problemas que envolvem importação aqui) com preço competitivo.

Delta Viper 2.0

Nadadeira assimétrica de borracha, com saídas de água direcionais

Tamanhos: M (39-40), ML (41-42) e L (43-44)

Fabricação: Taiwan

Preço médio: entre 300 e 350 reais dependendo da loja

Onde encontrar: Direto com a Science Brasil (@sciencebrasil), lojas online dedicadas (UV Store, Meu Bodyboard) ou revendedores oficiais com loja física, como a Surf Trunk em Santos – SP e a Vortec no Rio de Janeiro.

Fotos das nadadeiras – Science Brasil / Fotos de ação – Rodrigo Nattan

É isso, espero conseguir voltar a escrever mais por aqui. Muita gente me pede sempre mas do ano passado pra cá foi meio complicado mesmo. 😦

Agradeço também a Science Brasil por todo o suporte até agora, e ao Magno Passos que é um apaixonado pelo esporte como todos nós.

Até a próxima, te vejo na água!

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4 thoughts on “Review: Delta Viper 2.0

  1. Usei o Delta Viper novo em março/abril de 2018, em Mentawai. Levei junto um par de meu “motor de popa”: Viper V7, bola amarela, que costumava usar em mares extremos.

    Ao contrário do V7, que deixa qualquer pé moído se utilizado sem botinha ou meia, o Delta Viper tem o conforto do antigo Viper MS, que usei até arrebentar.

    Em ondas buraco, imbatível, apesar de exigir mais pernadas sob a linha d’água (como Mike Stewart ensina no vídeo “How To Bodyboard”, dos anos 80). O controle é máximo, e o conforto e leveza acabam compensando a propulsão inicial menor que o V7.

    Em carving, troca de bordas e nos tubos é um grande aliado, não ficando agarrado na parede da onda, a leveza permitindo que saia da água mais rápido também na hora do reverse.

    Empurrou bem esse sujeito de 150kg e que só tem mobilidade em um braço ondas desafiantes. Como reclamar?

    Além do foot pocket macio, a textura na sola ajuda muito em pedras escorregadias ou quando você surfa até o inside e precisa pisar nos corais.

    Também demonstrou resistência, ao ser arrastado em velocidade sobre diversas cabeças de coral. Ficou marcado, mas com a estrutura intacta.

    Várias vezes foi deixado ao sol no barco e não amoleceu a lâmina.

    No final da trip, mesmo em ondas como AFrames, dei preferência ao Delta Viper.

    Excelente produto. Recomendo.

    • Obrigado Felipe, descreveu super bem mesmo, como eu disse ele tem um equilíbrio bem legal de conforto e propulsão, numa remada mais curta. Gostei bastante e tenho escutado só elogios mesmo. Valeu!!!

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