Review: GT Boards Mega-T 42.5″

Finalmente esse review por aqui depois de mais de 6 meses, com um final de ano sem ondas praticamente. Estou devendo mais posts também, mas me encontro sem muito tempo graças a outros detalhes que explicarei mais pro final do post.

Recebi essa prancha graças a Abner Scopetta, atleta da GT Boards e representante da marca aqui no Estado de São Paulo. Já havíamos conversado antes sobre essa possibilidade e quando a linha 2018 chegou aqui no Brasil ele me falou que essa Mega-T 42.5” preta a minha disposição.

De lá pra cá as possibilidades de colocar essa prancha na água foram bem escassas. De outubro em diante quase não teve onda aos finais de semana aqui em SP, e eu tenho essa limitação já que moro em São Paulo/Capital.

Um dos poucos dias em que eu consegui colocar a prancha na água e pegar condições razoavelmente boas. Foto: Rodrigo Nattan

A GT Boards é uma das mais recentes marcas no mercado, e todos os seus modelos são fabricados em Taiwan na fábrica AGIT (a mesma das pranchas Found, Nomad, Funkshen, CustomX Australia e No.6). A GT Boards tem em seu time de atletas além da lenda Guilherme Tâmega, nomes fortes do cenário competitivo como Uri Valadão e Sócrates Santana, o que justifica um pouco a performance da prancha como descreverei a seguir.

Mas vamos às primeiras impressões então, de primeira achei a prancha bem acabada. No geral a fábrica Agit tem melhorado bastante a construção das pranchas ao longo destes anos, isso é nítido. Bordas e emendas são bem finalizadas diminuindo assim a possibilidade de qualquer infiltração. Me incomodou apenas não ver no encarte nada falando sobre as medidas, como sou curioso quanto a isso procurei na internet e também não encontrei nenhuma informação dessa opção de tamanho. Acho isso importante já que essa referência é essencial na hora de se escolher a próxima prancha, pelo menos pra mim sempre foi. Comparar as medidas de uma prancha que você gosta/gostou muito é ponto-chave na compra da próxima.

Outro detalhe é referente aos logos estampados na prancha, depois de duas ou três quedas o da rabeta já estava saindo. Hoje utiliza-se o método de silk-screen pra estampar esses logos, e nesse caso isso precisa ser melhorado.

A prancha agrada bastante no aspecto geral e segurando ela na mão achei apenas um pouco grossa, perto da tendência atual de pranchas mais finas e com menor volume. Mas isso é perfeitamente compreensível já que é a prancha que o próprio Guilherme usa normalmente (lembrando que a Science Style que Mike Stewart usa também é 1mm mais grossa que o comum).

Mais um dia de pequenas mas boas ondas aqui em SP. Foto: Rodrigo Nattan

Quanto ao shape, que a própria GT Boards anuncia como sendo um “australian shape”, é sim um pouco mais reto e mais de acordo com o que a gente tem visto em outras marcas, australianas ou não. Não tem mais aquela sensação de wide point tão mais alto, com o desenho sendo quase uma “gota” invertida. Mas dá sim pra perceber um caimento em direção à rabeta. Guilherme acertou bem nisso já que deu uma boa modernizada na prancha, mas não tirou aquela característica clássica de um outline com a rabeta um pouco menor. Com essa medida na rabeta, a Mega-T gira super bem nos dias menores, sempre com bastante controle graças a área perto do bico. Olhando de relance me pareceu um pouco com o desenho das NMD Ben Player, obviamente com os ajustes de outline do wide point e rabeta.

Destaque pros contornos no deck, que são muito bonitos mas em um momento me pareceram não tão funcionais, principalmente nas laterais e onde a mão vai segurando a borda. Exatamente onde eu seguro a borda (e onde a maioria das pessoas também) o contorno desvia pra parte de dentro do deck, perdendo sua função. Na foto mais pro final do post dá pra entender melhor o que eu estou dizendo. Pessoalmente eu prefiro decks sem contornos ou com no máximo os rebaixos retos onde se segura a prancha (pegada simples no bico e nas bordas como na Science Launch por exemplo).

Surfei com a Mega-T em dias menores com ondas em torno de 0,5 metro, e também em um dia de boas ondas com 1 metro e algumas maiores. No dia maior a Mega-T me pareceu um pouco dura, mas imagino por ser uma prancha ainda nova e pouco amaciada. Isso é garantia de uma boa sobrevida e durabilidade ao longo do tempo. Eu pessoalmente acabei acostumando com pranchas já um pouco mais moles desde novas, como é o caso da Science Style ou outras pranchas um pouco mais finas. Mas isso é questão de gosto pessoal, então fica aqui apenas a constatação pra quem de repente for comprar “as escuras” pela internet. E sei bem que tem gente que gosta de prancha mais dura no geral, então fica aqui o relato.

Fica nítido então que a Mega-T foi feita pra manobrar bastante e aguentar as pancadas, já que a prancha parece ser bem robusta com seu bloco de PP, stringer e tela. As cavadas e as trocas de borda são rápidas (graças à área menor na rabeta), mas com um volume maior no bico a prancha muitas vezes acaba perdendo velocidade se você quiser fazer aquela linha mais clássica trocando muita borda. Ou seja, pra extrair tudo o que essa prancha tem, você vai ter que tentar surfar um pouco da maneira explosiva que Guilherme Tâmega faz já a bastante tempo. Cavadas rápidas sempre mirando o lip e extrapolando o limite nas manobras aéreas. Pra quem compete e treina sempre nesse estilo, é uma ótima pedida, e a identificação com o hexa-campeão mundial é quase que automática em cima dessa prancha.

GT Boards Mega-T 42.5″ PP

Bloco: Polipropileno 1.9 lb com tela simples logo acima do fundo

Deck: Polietileno 8lb NXL (PE poroso)

Fundo: Surlyn

Stringer: Simples de carbono

Rabeta: Crescente/Swallow

Bordas: 60/40

Preço: R$1199 (a venda nas principais lojas online como UV Store ou também lojas físicas, como a Surf Trunk em Santos – SP)

Prós: Prancha bem robusta e de construção sólida, com materiais modernos (PP e Surlyn) e shape bem adaptado às condições brasileiras.

Contras: Bloco um pouco mais grosso que o normal do mercado atual, dando uma dureza extra (o que pra muitos pode ser bom). Pode ser um problema em ondas muito rápidas quando nova. Logos do deck saem com facilidade.

Agradecendo sempre ao Rodrigo Nattan pelas fotos de ação, sem ele esse blog seria impossível de ser feito. Mais do trabalho íncrivel dele pode ser conferido nesse link do Instagram.

Como eu disse no começo desse post e também no último post sobre o Viper, sou representante da Science aqui em SP desde o final do ano passado. Isso obviamente acaba limitando um pouco os assuntos e reviews desse blog, inclusive esse review ficou meio em standby também por causa disso, imagino que haja aí um pequeno conflito de interesses. Só segui em frente com esse review por já ter combinado tudo e recebido a prancha pra teste. Vou assim procurar outros assuntos por aqui e não ficar tão limitado aos reviews, espero que entendam.

Obrigado e até a próxima, te vejo na água!

 

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Review: Delta Viper 2.0

Bom, como eu imagino que muitos aqui também me acompanham no Instagram, devem ter visto que no final do ano passado recebi uma proposta para ser representante da Science Brasil aqui em São Paulo pelas mãos de um dos maiores atletas da história do esporte no Brasil, o capixaba Magno Passos.

Ainda estou adaptando minha rotina de trabalho diário durante a semana aqui em São Paulo (trabalho como diretor de arte numa produtora de vídeos) junto com essa nova tarefa, então os posts por aqui ficaram meio parados mesmo, não teve jeito.

Além de ter ficado muito lisonjeado com esse convite, percebi uma grande oportunidade de usar equipamentos que eu sempre achei dos melhores do mercado (e que muitas vezes já usava), não só pela enorme qualidade mas também por toda a história e conhecimento da lenda viva chamada Mike Stewart. Nunca escondi de ninguém que a minha própria história e experiência no esporte é em grande parte graças ao Mike, a influência dele na minha geração foi enorme. Eu cresci vendo todo o domínio do havaiano durante anos a fio, tanto na cena competitiva mas principalmente em tudo o que se relaciona a estilo, linha de onda, e a partir de 1998 com equipamentos, no lançamento da Science Bodyboards (que na época foi inicialmente lançada como “Mike Stewart Science”).

O Delta Viper 2.0 além de bem funcional, tem um design limpo e bonito.

Foto: Science Brasil

No final de 2017 a Science Brasil recebeu um enorme carregamento de pranchas, como muitos já devem ter visto nas minhas postagens no Instagram, e também nas principais lojas online disponíveis aqui no Brasil. Logo em seguida chegou no Brasil (e praticamente ao mesmo tempo que no resto do mundo) a nova versão do pé de pato assimétrico assinado pelo Mike, o chamado Delta Viper. Eu já tinha usado a primeira versão durante uns meses em 2014/15, mas acabei não me adaptando muito por ter ficado justo demais no meu pé.

Aqui faço um parêntesis essencial: cada pessoa tem os pés num formato bem pessoal, quase que único. Tamanho (comprimento) é apenas uma de muitas variáveis na hora de um pé de pato ou nadadeira te servir direito e não incomodar dentro d’água. O que eu escrevo aqui é em relação a minha experiência ao longo de todos esses anos com o formato de pé que eu tenho, ok? Recomendo sempre provar o pé de pato antes da compra, se possível obviamente.

Usei durante muito tempo os famosos Churchill e suas variações. Sempre me serviram como uma luva, o tamanho ML se encaixa perfeitamente no meu pé 42. Tive também os Limited Edition, Stealth S2/S3 e até o recente Vulcan. Mas os preferidos sempre foram os Churchill tradicionais ou os australianos Limited Editions, pela boa relação entre dureza, propulsão e conforto.

Um dos meus primeiros dias usando o Delta Viper, com boas ondas aqui em SP.

Foto: Rodrigo Nattan

Quando a Science Brasil me mandou os novos Delta Viper, fiquei bem empolgado pra usar principalmente por ter visto Mike falando num vídeo que a principal mudança tinha sido na parte interna, o que a gente acaba chamando de “foot pocket” (na tradução direta seria algo como o “bolso onde vai o pé”). O pocket teria ficado mais arredondado na sola (apertando menos o pé em geral), e o durômetro (que é a relação de dureza das borrachas em geral) tinha sido revisto também. Imaginei que essa versão poderia ser um pouco mais larga por dentro e que aí acomodaria melhor meu pé, que ficava com o dedão meio esmagado por cima na versão antiga. Fora também as cores bem bonitas e diferentes (o azul/amarelo é o meu preferido). 🙂

As principais diferenças do Delta Viper em relação ao Churchill são as saídas de água direcionais (nada daquele buraco pouco funcional em baixo) e o desenho mais reto da barbatana, com um “dente” na parte virada pra dentro. Esse dente garante mais controle em ondas cavadas, já que essa parte interna da perna “de fora” é a que fica mais tempo em contato com a água, junto obviamente com a sua perna “de dentro”. Outra característica marcante é o fato da barbatana ser um pouco mais curta que o normal, isso garante sempre uma pernada mais curta e rápida, mas ainda bem eficiente. O que eu percebi é que naquela pernada forte pra entrar na onda você acaba batendo a perna mais rápido e em movimentos mais curtos, com uma propulsão ótima. A ideia nesse momento é acelerar o mais rápido possível (pra chegar na mesma velocidade da onda) e o Viper é perfeito nesse quesito. Conversei com dois amigos que também tão usando o Delta Viper e esse relato da pernada mais curta foi idêntico e positivo. Na onda o Delta Viper é bem leve e segura super bem na parede e em despencadas. Na maioria do tempo dentro d’água nem lembrei dele, o que é um ótimo sinal.

Saídas de água direcionadas e a tal ponta interna que segundo Mike Stewart garante mais controle. Foto: Science Brasil

Quanto ao tamanho e o fato de apertar os dedões, no primeiro mês isso aconteceu um pouco, mas agora já parece que a borracha pegou um pouco o formato do meu pé, encaixando como uma luva. Já me sinto 100% adaptado e nem lembro mais dos Churchill que eu tanto gostava.

Outro detalhe que eu tenho visto muito por aí e queria comentar aqui. Vende-se muito a tal ideia do “made in Malaysia” (fabricado na Malásia) / borracha da Malásia, que apenas as nadadeiras fabricadas lá são boas e etc. Isso começou depois que a Morey passou a fabricação dos Churchill pra China pra cortar custos, e a qualidade dos pés de pato deles caiu imediatamente. Os Delta Viper são fabricados em Taiwan, e eu achei a borracha e a construção geral deles muito boa, no nível de outras nadadeiras, com a borracha super lisa e bem acabada (o que diminui a possibilidade daquelas feridas).

O Delta Viper é leve e não incomoda em dias pequenos ou trocas de borda, como nesse bat-invert aqui. Foto: Rodrigo Nattan

Então o que eu reforço aqui é o fato de que apenas o lugar onde é fabricado não é uma garantia 100% da qualidade. Uma fábrica pode comprar borracha na Malásia e fabricar seus pés de pato em Taiwan, como é por exemplo o caso do Delta Viper. O ideal é sempre que possível ver ao vivo e provar o pé de pato na loja.

Por enquanto não tenho nenhum ponto negativo como destaque no Delta Viper, e também só recebi feedbacks positivos de quem já está usando. Outro detalhe legal é o preço encontrado nas lojas, abaixo de concorrentes nacionais por exemplo. Ponto pra Science Brasil que conseguiu disponibilizar um produto de alta qualidade no mercado nacional (com todos os problemas que envolvem importação aqui) com preço competitivo.

Delta Viper 2.0

Nadadeira assimétrica de borracha, com saídas de água direcionais

Tamanhos: M (39-40), ML (41-42) e L (43-44)

Fabricação: Taiwan

Preço médio: entre 300 e 350 reais dependendo da loja

Onde encontrar: Direto com a Science Brasil (@sciencebrasil), lojas online dedicadas (UV Store, Meu Bodyboard) ou revendedores oficiais com loja física, como a Surf Trunk em Santos – SP e a Vortec no Rio de Janeiro.

Fotos das nadadeiras – Science Brasil / Fotos de ação – Rodrigo Nattan

É isso, espero conseguir voltar a escrever mais por aqui. Muita gente me pede sempre mas do ano passado pra cá foi meio complicado mesmo. 😦

Agradeço também a Science Brasil por todo o suporte até agora, e ao Magno Passos que é um apaixonado pelo esporte como todos nós.

Até a próxima, te vejo na água!