Review: GT Boards Mega-T 42.5″

Finalmente esse review por aqui depois de mais de 6 meses, com um final de ano sem ondas praticamente. Estou devendo mais posts também, mas me encontro sem muito tempo graças a outros detalhes que explicarei mais pro final do post.

Recebi essa prancha graças a Abner Scopetta, atleta da GT Boards e representante da marca aqui no Estado de São Paulo. Já havíamos conversado antes sobre essa possibilidade e quando a linha 2018 chegou aqui no Brasil ele me falou que essa Mega-T 42.5” preta a minha disposição.

De lá pra cá as possibilidades de colocar essa prancha na água foram bem escassas. De outubro em diante quase não teve onda aos finais de semana aqui em SP, e eu tenho essa limitação já que moro em São Paulo/Capital.

Um dos poucos dias em que eu consegui colocar a prancha na água e pegar condições razoavelmente boas. Foto: Rodrigo Nattan

A GT Boards é uma das mais recentes marcas no mercado, e todos os seus modelos são fabricados em Taiwan na fábrica AGIT (a mesma das pranchas Found, Nomad, Funkshen, CustomX Australia e No.6). A GT Boards tem em seu time de atletas além da lenda Guilherme Tâmega, nomes fortes do cenário competitivo como Uri Valadão e Sócrates Santana, o que justifica um pouco a performance da prancha como descreverei a seguir.

Mas vamos às primeiras impressões então, de primeira achei a prancha bem acabada. No geral a fábrica Agit tem melhorado bastante a construção das pranchas ao longo destes anos, isso é nítido. Bordas e emendas são bem finalizadas diminuindo assim a possibilidade de qualquer infiltração. Me incomodou apenas não ver no encarte nada falando sobre as medidas, como sou curioso quanto a isso procurei na internet e também não encontrei nenhuma informação dessa opção de tamanho. Acho isso importante já que essa referência é essencial na hora de se escolher a próxima prancha, pelo menos pra mim sempre foi. Comparar as medidas de uma prancha que você gosta/gostou muito é ponto-chave na compra da próxima.

Outro detalhe é referente aos logos estampados na prancha, depois de duas ou três quedas o da rabeta já estava saindo. Hoje utiliza-se o método de silk-screen pra estampar esses logos, e nesse caso isso precisa ser melhorado.

A prancha agrada bastante no aspecto geral e segurando ela na mão achei apenas um pouco grossa, perto da tendência atual de pranchas mais finas e com menor volume. Mas isso é perfeitamente compreensível já que é a prancha que o próprio Guilherme usa normalmente (lembrando que a Science Style que Mike Stewart usa também é 1mm mais grossa que o comum).

Mais um dia de pequenas mas boas ondas aqui em SP. Foto: Rodrigo Nattan

Quanto ao shape, que a própria GT Boards anuncia como sendo um “australian shape”, é sim um pouco mais reto e mais de acordo com o que a gente tem visto em outras marcas, australianas ou não. Não tem mais aquela sensação de wide point tão mais alto, com o desenho sendo quase uma “gota” invertida. Mas dá sim pra perceber um caimento em direção à rabeta. Guilherme acertou bem nisso já que deu uma boa modernizada na prancha, mas não tirou aquela característica clássica de um outline com a rabeta um pouco menor. Com essa medida na rabeta, a Mega-T gira super bem nos dias menores, sempre com bastante controle graças a área perto do bico. Olhando de relance me pareceu um pouco com o desenho das NMD Ben Player, obviamente com os ajustes de outline do wide point e rabeta.

Destaque pros contornos no deck, que são muito bonitos mas em um momento me pareceram não tão funcionais, principalmente nas laterais e onde a mão vai segurando a borda. Exatamente onde eu seguro a borda (e onde a maioria das pessoas também) o contorno desvia pra parte de dentro do deck, perdendo sua função. Na foto mais pro final do post dá pra entender melhor o que eu estou dizendo. Pessoalmente eu prefiro decks sem contornos ou com no máximo os rebaixos retos onde se segura a prancha (pegada simples no bico e nas bordas como na Science Launch por exemplo).

Surfei com a Mega-T em dias menores com ondas em torno de 0,5 metro, e também em um dia de boas ondas com 1 metro e algumas maiores. No dia maior a Mega-T me pareceu um pouco dura, mas imagino por ser uma prancha ainda nova e pouco amaciada. Isso é garantia de uma boa sobrevida e durabilidade ao longo do tempo. Eu pessoalmente acabei acostumando com pranchas já um pouco mais moles desde novas, como é o caso da Science Style ou outras pranchas um pouco mais finas. Mas isso é questão de gosto pessoal, então fica aqui apenas a constatação pra quem de repente for comprar “as escuras” pela internet. E sei bem que tem gente que gosta de prancha mais dura no geral, então fica aqui o relato.

Fica nítido então que a Mega-T foi feita pra manobrar bastante e aguentar as pancadas, já que a prancha parece ser bem robusta com seu bloco de PP, stringer e tela. As cavadas e as trocas de borda são rápidas (graças à área menor na rabeta), mas com um volume maior no bico a prancha muitas vezes acaba perdendo velocidade se você quiser fazer aquela linha mais clássica trocando muita borda. Ou seja, pra extrair tudo o que essa prancha tem, você vai ter que tentar surfar um pouco da maneira explosiva que Guilherme Tâmega faz já a bastante tempo. Cavadas rápidas sempre mirando o lip e extrapolando o limite nas manobras aéreas. Pra quem compete e treina sempre nesse estilo, é uma ótima pedida, e a identificação com o hexa-campeão mundial é quase que automática em cima dessa prancha.

GT Boards Mega-T 42.5″ PP

Bloco: Polipropileno 1.9 lb com tela simples logo acima do fundo

Deck: Polietileno 8lb NXL (PE poroso)

Fundo: Surlyn

Stringer: Simples de carbono

Rabeta: Crescente/Swallow

Bordas: 60/40

Preço: R$1199 (a venda nas principais lojas online como UV Store ou também lojas físicas, como a Surf Trunk em Santos – SP)

Prós: Prancha bem robusta e de construção sólida, com materiais modernos (PP e Surlyn) e shape bem adaptado às condições brasileiras.

Contras: Bloco um pouco mais grosso que o normal do mercado atual, dando uma dureza extra (o que pra muitos pode ser bom). Pode ser um problema em ondas muito rápidas quando nova. Logos do deck saem com facilidade.

Agradecendo sempre ao Rodrigo Nattan pelas fotos de ação, sem ele esse blog seria impossível de ser feito. Mais do trabalho íncrivel dele pode ser conferido nesse link do Instagram.

Como eu disse no começo desse post e também no último post sobre o Viper, sou representante da Science aqui em SP desde o final do ano passado. Isso obviamente acaba limitando um pouco os assuntos e reviews desse blog, inclusive esse review ficou meio em standby também por causa disso, imagino que haja aí um pequeno conflito de interesses. Só segui em frente com esse review por já ter combinado tudo e recebido a prancha pra teste. Vou assim procurar outros assuntos por aqui e não ficar tão limitado aos reviews, espero que entendam.

Obrigado e até a próxima, te vejo na água!

 

Test-Drive: Science Style Loaded 42.5

Science Hall

Vamos lá, mais um Test Drive por aqui! Fiquei surpreso com o feedback do post inaugural sobre a Erizos e espero transformar esses reviews em algo super comum. Espero também que as marcas e lojas colaborem, tenho certeza que o consumidor final e a galera apaixonada pelo esporte saem sempre ganhando, pra mim pelo menos é um prazer enorme fazer esses reviews.

Hoje falarei de uma prancha que desde seu lançamento (na linha 2014-15) me chamou a atenção, basicamente por dois fatores. O primeiro obviamente por ser uma homenagem a prancha mais icônica que Mike Stewart usou em toda a sua carreira, a Turbo III (que eu inclusive já contei parte de sua história aqui no blog). O outro detalhe é em relação ao bloco usado, uma opção mais mole e mais leve do tradicional Polipropileno 1.9lb, que Mike chama de Loaded Core. Esse bloco tem densidade de 1.4lb, que o torna mais leve e mais flexível, possibilitando um “sanduíche” com características bem específicas.

PQAAAHfa6iZlK_Rs7L_3LV6wZ72bm6Ay6poJYUGyc_jDm7xmVwlPn99ZvqBNSq1KtkGM5x9BrR_LpqAQyicHnq_2gqIAm1T1UH6KwcovfMyGLjwJbIDIKj-wr5VmMike Stewart dominando Pipeline como ninguém, a bordo da Turbo III original nos anos 90. Foto: Brian Bielmann

A combinação nesse caso é de uma tela imediatamente abaixo do deck e outra acima do fundo, junto de um stringer simples no meio da prancha. Essa densidade menor do bloco garante a leveza necessária pra se colocar essas duas telas e a prancha não ficar muito pesada. Essa ideia do bloco “ensanduichado” por duas telas vem de algum tempo já. Em meados dos anos 90 Mike tinha um modelo na Morey Boogie chamado Pro Comp 3, que era algo como a evolução da Turbo III.  Ela já tinha um template mais estreito mas ainda era feita com bloco de PE, o que a deixava bem pesada. A Science Style talvez seja então a prancha que Mike Stewart sempre quis usar a 20 anos atrás, mas que a tecnologia da época ainda não permitia.

Então desde 2014 fiquei namorando e sonhando com a compra, já que sempre fui fã absoluto do Mike e sempre respeitei demais todo esse seu interesse e know-how de mais de 25 anos de desenvolvimento de shapes, materiais e combinações diferentes. Talvez ele seja o único atleta que se interessou em mergulhar fundo nesse mundo ainda durante o auge de sua carreira competitiva.

Mas acabei encontrando um problema, que pelo menos pra mim acaba sendo um tanto recorrente. Essa prancha só era oferecida nos EUA (o caminho mais fácil até o Brasil) nos tamanhos “cheios”, apenas 40, 41, 42 e 43 por exemplo. Pra minha altura e peso (1,93m/83kg) a 42 fica pequena, e a 43 larga demais. O jeito mesmo foi ficar sonhando até conseguir comprar uma diretamente da Austrália, onde a versão 42,5 é oferecida.

Então em meados de Maio desse ano recebi no Brasil (com a ajuda enorme do meu amigo Christian Brito) esse exemplar das fotos. O primeiro impacto ao pegar a prancha na mão foi brutal, não só pela qualidade absurda dos acabamentos feitos pela fábrica de Nick Mesritz, mas também pelos pequenos detalhes que remetem a tão falada Turbo III. A peça separada no bico e também na rabeta garantem um certo ar nostálgico, ainda mais pra quem viveu a hegemonia de Mike Stewart nos anos 90, dominando Pipeline como ninguém.

Foto 13-05-16 20 58 16 copyClose up do acabamento e dos detalhes do bico: quase uma obra de arte.

Fiquei bem curioso a princípio porque na mão a prancha parecia um tanto larga, mas essa impressão inicial sumiu imediatamente na primeira onda. Essa largura a mais (remetendo um pouco aos shapes e desenhos mais antigos) ajuda demais na hora da remada, e some praticamente assim que você começa a cavada. Depois disso a prancha dá uma estilingada como eu nunca havia visto antes. Arrisco aqui dizer que essa combinação Loaded Core seja mais rápida até que os blocos Parabolic. Precisei adaptar minha linha de onda inclusive, forçando menos as cavadas e tentando desenhar uma linha mais suave. Nada pode ser mais Mike Stewart que isso. 🙂

IMG_1754Um dos dias de teste da Science Style, com altas ondas.

A prancha foi testada em mares de 2 a 6 pés, desde ondas mais cheias e comuns até um dia de altas ondas aqui em SP, como podemos ver nas fotos que ilustram o teste. Em todas as condições não identifiquei nenhum ponto fraco ou situação em que a prancha não passou voando pelos “flat spots” e me direcionou como uma bala para o lip ou pra sair daquele tubo super fundo. Como eu disse antes aquela largura a mais te coloca antes dentro da onda e deixa a cavada bem precisa, ajudando também na volta das manobras e nas trocas de borda. Não senti em nenhum momento a prancha “sobrando” ou “faltando”, o que pelo menos pela minha experiência é algo super raro. Geralmente aquela prancha mais larga e que vai bem nos dias menores acaba sobrando em dias grandes e vice-versa, o que definitivamente não foi o caso da Science Style.

IMG_2228Nas manobras a Science Style vai muito bem, graças a velocidade que vem das cavadas.

Hoje eu diria que das mais de 30 pranchas que tive até hoje essa foi a que mais me surpreendeu junto com as Parabolic já aqui mencionadas. Para quem busca ter apenas uma prancha, essa é sem dúvida alguma a compra mais certeira no momento, já que essa prancha atende talvez 90% das condições que nós bodyboarders encontramos normalmente. Vendo Mike Stewart surfar com esse modelo fica nítido que a prancha anda demais e dificilmente fica pra trás, mesmo em dias mais difíceis (como em um campeonato em condições não-ideais por exemplo).

IMG_1725Em algumas situações a prancha ganha velocidade até demais. Aqui tentando dar aquela atrasada pra mais um tubo. Foto: Leandro Gonçalves

Quanto a linha de onda indico demais também esse modelo pra quem gosta de surfar com velocidade e/ou fazendo aquela linha mais clássica, mas que pode ser pontuada por manobras modernas. A Science Style responde demais aos comandos e cava velozmente como poucas pranchas no mercado, junto com aquele volume a mais pra voltar manobras como ARSs e outras em dias menores. Como eu disse antes se fosse definir essa prancha seria pela sua total versatilidade, funcionando em todas as condições. Talvez seja a primeira a rivalizar a já clássica NMD Ben Player que eu sempre gosto de citar aqui.

IMG_1781Com tanta velocidade fica fácil acertar aquele lip bem no lugar certo.

Science medidas

Science Style Loaded Core 42.5

Bloco: Polipropileno 1.4 lb com tela dupla

Deck: Polietileno 8 lb NXL

Fundo: Surlyn

Stringer: Simples de carbono

Rabeta: Crescente/Swallow

Bordas: 55/45

Preço: R$1449 no Brasil através da Science Brasil (@sciencebrasil), e também em algumas lojas online como a UV Store.

Prós: Desenho e comportamento ultra versáteis, funciona perfeitamente na maioria das condições. Combinação mais flexível de materiais dá aquela sensação de prancha amaciada mesmo quando nova.

Contra: A Style Loaded é um pouco mais larga que outras pranchas, o que pode ser um problema pra quem está acostumado com as pranchas mais novas, muito estreitas e finas.

A Science Style em ação em algum lugar do Pacífico Sul. 

Agradeço demais ao fotógrafo Rodrigo Nattan por todas as fotos de ação que publico aqui, sem ele não poderia nunca ilustrar esses posts e o blog seria infinitamente mais pobre. Todas as fotos de ação foram feitas por ele a não ser que esteja o crédito descrito. Fotos da prancha feitas por mim mesmo.

Já tenho mais um Test Drive encaminhado, mas ainda não recebi a prancha e vou manter o suspense. Acesse minha conta no Instagram (@pfleury) pra ficar informado das novidades!

Até a próxima!

Paulo Fleury

Novos materiais e blocos lançados em 2015

No último post comentei que nesse mês de julho eu escreveria sobre as novas pranchas com o sistema de stringers intercambiáveis. Esse sistema foi criado pela marca australiana Rheopaipo (mas não foi colocado no mercado) a alguns anos e lançado em 2015 com o nome de “ISS” por algumas das principais marcas mundiais.

A Broady Indonesia Global, fábrica localizada na Indonésia e que tem Nick Mesritz como cabeça pensante, tem monopolizado as principais novidades e lançamentos de materiais para a construção das tradicionais pranchas de bodyboard. Digo “tradicionais” porque nossas pranchas são fabricadas da mesma maneira a mais de 30 anos, com versões diferentes e aperfeiçoadas dos mesmos materiais praticamente. Não que isso seja ruim, mas o mercado acaba se desenvolvendo num ritmo lento e dependendo bastante da boa vontade das indústrias de matéria-prima para lançar algo diferente.

Depois da centralização de quase toda a produção mundial de pranchas nas duas fábricas na Ásia (Broady na Indonésia e Agit em Taiwan), foi possível perceber uma maior rapidez no desenvolvimento e tentativas de novos materiais e “sanduíches”. Inclusive a variedade de diferentes cores nos materiais aumentou. Isso é possível por um motivo simples: Quando se tem uma fábrica que cuida da produção de mais de 10 marcas diferentes, você consegue uma negociação diferente na hora de comprar matéria-prima. Você não está comprando 1000 “kits”para a produção de pranchas de uma só marca. Você está negociando (hipoteticamente) 10.000 blocos, 10.000 folhas de PE para os decks, 10.000 folhas de Surlyn para o fundo, e por aí vai. Esse maior poder na hora da compra do material acaba possibilitando a criação de novos blocos com diferentes densidades (como NRG, Loaded, D12 e etc), novos sanduíches de bloco (QuadCore, Tension Tech e Skintec) e também uma possibilidade maior na variedade de cores, como vimos nos últimos anos na grande quantidade de cores disponíveis nos fundos de Surlyn. Até a década de 90 o fundo das pranchas era quase sempre na cor branca, com raras exceções. Hoje temos mais de 10 diferentes cores.

E desde 2009 a marca australiana Rheopaipo (que teve como atletas grandes nomes como Ben Holland e Damian King) ensaiava o lançamento dessa tecnologia de troca de stringers para as diferentes condições de onda e também temperatura da água. Mas por algum motivo, essas pranchas da Rheopaipo nunca chegaram ao mercado realmente.

Movement_ISSPLUG_11V15OL.aiPublicidade da Rheopaipo no primeiro “lançamento” do sistema ISS. Imagem: Rheopaipo.com.au

Mas a partir de 2013 começamos a ver os atletas das marcas comandadas por Nick Mesritz (como Dave Winchester e Ryan Hardy na época) utilizando exatamente a mesma tecnologia em alguns vídeos e campeonatos, o que acabou despertando a dúvida de se essas pranchas ISS seriam realmente colocadas no mercado. Como Mez e toda a sua estrutura na Indonésia não dá ponto sem nó, em maio desse ano as pranchas começaram a chegar nas lojas, inicialmente na Inglaterra e Estados Unidos.

Esse sistema tem uma série de vantagens. Quem ainda pegou a fase das pranchas sem stringer sabe como o stringer acabou aumentando a durabilidade das pranchas, mas ao mesmo tempo limitou a resposta do bloco nas cavadas. Uma prancha sem stringer tinha uma projeção inigualável, mas na mão de certos atletas durava poucos meses.

NMD-ISS-interchangeable-stringer-bodyboards_1E a versão já finalizada e colocada no mercado pela fábrica Broady Global. Imagem: Bodyboardking.com

Mas com a possibilidade de se colocar um stringer mais mole ou mais rígido acabamos com esse dilema de projeção/durabilidade. Você pode ir testando diferentes usos em diferentes condições de onda (mar pequeno, mar grande, onda mais cheia, onda buraco). Acredito que podemos também utilizar a prancha sem stringer, apesar de ainda não recomendado nem disponibilizado pelo fabricante. E aquela prancha que já está bem dobrada e “mastigada”, pode ganhar vida nova com um stringer mais rígido.

Na etapa do mundial em Itacoatiara já vimos grandes nomes do circuito usando essas pranchas, casos de Amaury Lavernhe e Jared Houston.

11209461_393378997514153_4309989252981571846_nO atual campeão mundial Amaury Lavernhe com uma prancha da marca Sniper e o sistema ISS. Imagem: APB Tour – Itacoatiara Pro

Outra possibilidade é de se usar a mesma prancha em lugares com diferentes temperaturas da água. Geralmente em ondas com água mais gelada (como Chile ou Austrália) usa-se um bloco com material mais mole, como NRG e PE, ou uma prancha mais fina, que teoricamente duraria menos tempo. Com o sistema ISS coloca-se um stringer mais mole naquela prancha de PP e pronto. Pode-se assim levar apenas duas pranchas em uma viagem, com shapes diferentes (de repente uma com rabeta bat-tail e outra com rabeta crescente por exemplo), e ter 8 opções diferentes com apenas 2 pranchas e 4 stringers.

175209_706585072698560_927985060_oConfiar e saber exatamente que equipamento usar é fundamental em momentos como esse. Gustavo Martins negociando uma despencada no litoral de São Paulo. Imagem: Rodrigo Nattan Fotografia

Por enquanto a maioria das marcas fabricadas na Indonésia tem lançado sua linha 2015/2016 com o sistema ISS, por uma pequena diferença de preço em cima das pranchas “normais”. Cada stringer extra custa entre 70 e 80 dólares, mas dadas as vantagens já descritas aqui acho que acaba valendo muito a pena. Marcas como NMD, VS, Science, Sniper e Pride já tem pranchas disponíveis nas lojas lá fora, enquanto Hubboards e Stealth devem lançar sua linha em breve. A QCD também lançará pranchas ISS apesar de ter suas pranchas fabricadas na fábrica de Taiwan.

Tive a oportunidade de comprar uma prancha dessas no começo de junho, e apesar de ainda não ter tido acesso a outros stringers além do “mid flex” que vem junto com a prancha, a possibilidade de se trocar sua rigidez minutos antes de se entrar na água é fantástica.

Outra novidade lançada recentemente é o bloco chamado QuadCore ou TensionTech. Esse bloco é uma nova versão de um sanduíche longitudinal de bloco com diferentes densidades, como foi o finado bloco 3D lançado em 2009. É uma colagem de duas ou três camadas de bloco (com a camada de cima sendo mais mole) e mais duas telas pra garantir durabilidade. No caso da versão usada pela marca Hubboard, são 4 peças, por isso o nome QuadCore. Já no TensionTech (usado pelas marcas NMD, VS e Stealth) são 3 peças de espuma e mais duas telas.

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Corte do bloco QuadCore onde vemos suas camadas, e o vídeo de lançamento com Jeff Hubbard humilhando os meros mortais. Imagem: hubboards.com

Essa porção mais mole do bloco por baixo do deck garante uma maior projeção, já que toda essa parte de cima da prancha se comporta como algo já amaciado. Não existe aquela sensação de prancha dura típica de todas as pranchas novas. Na volta das manobras esse pedaço mais mole também te ajuda a não perder parte das costelas naquele backflip estratosférico. 🙂

tension_tech_1_Corte do bloco Tension Tech mostrando suas camadas de bloco e tela. Imagem: Bodyboardking.com

A fábrica localizada em Taiwan também lançou um bloco utilizando-se do mesmo princípio do TensionTech, e já o disponibiliza nas suas pranchas a algum tempo, inclusive na linha GTBoards do hexa campeão Guilherme Tâmega. O chamado Skintec também usa “fatias”de densidades diferentes, garantindo mais conforto e projeção nas cavadas.

Todas essas novas tecnologias tem servido não só pra te dar uma maior performance dentro d’água, mas também para garantir uma maior durabilidade das pranchas. Lembrando sempre que esse assunto “durabilidade” é muito delicado, sempre friso aqui que prancha de bodyboard não foi feita pra durar. A flexibilidade é o nosso diferencial comparando-se todos os outros esportes onde pranchas são usadas. Senão seria muito simples, coloca-se meia dúzia de stringers em um bloco super rígido e a prancha será eterna. Mas não irá fazer nenhuma cavada nem conseguirá completar aquele drop despencando lá de cima. A busca pela combinação perfeita de projeção, dureza e durabilidade é realmente longa, e testar o máximo de combinações possíveis pode te levar a achar a prancha perfeita.

Até a próxima, nos vemos na água!

Paulo Fleury

Shape e “outline” de uma prancha: o que muda e como tirar proveito disso.

Bom, voltando finalmente depois de alguns (vários) meses sem escrever aqui, com muita gente me perguntando onde estavam as atualizações do blog. Esse ano terminei minha pós-graduação então agora o tempo livre vai ser pra surfar ainda mais e escrever sempre que possível. Já tenho mais dois textos prontos e vou soltando ao longo dos próximos meses.

No último ano não tivemos nenhuma novidade relevante em relação a materiais (tirando o grande lançamento agora em Maio de 2015 das pranchas com stringers cambiáveis, que vou fazer um review aqui logo mais), então hoje vou falar um pouco do desenho básico de uma prancha de bodyboard. Antigamente (como já abordado aqui) não existiam opções de tamanho, bloco e etc no mercado como existe hoje. Nem de cores. Todas as pranchas eram vendidas nas medidas 42 ou 43, sempre com os mesmos “color combos”, e ver gente surfando com verdadeiras “balsas” era muito comum.

A partir de meados da década de 90, com o lançamento da Morey Boogie Mach 7-40 assinada por Mike Stewart e também de versões menores da BZ Ben Severson, as marcas perceberam que havia sim uma demanda para as pranchas menores. Seja para as mulheres, que ainda eram obrigadas a surfar com pranchas enormes, ou pra aquele bodyboarder que já conseguia perceber que em certas condições uma prancha menor e mais rápida fazia toda a diferença.

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 Publicidade muito bem humorada (e executada) da Morey Boogie em 1995 anunciando os dois modelos de Mach 7-7 assinados por Mike Stewart. Fonte: Arquivo Pessoal Bodyboarding Magazine

  Mas sempre houve uma variedade grande de shapes e desenhos, e o que chamava mais a atenção sempre era uma grande diferença principalmente na altura do chamado “wide point”, que é a parte mais larga e que vai definir o desenho geral da prancha. Hoje em dia a maioria das pranchas tem o WP na altura dos cotovelos, garantindo assim a rápida troca de borda e velocidade na cavada. Mas antigamente não era assim, um exemplo disso é a BZ Ben T-10 que tinha o WP bem perto do bico, quase na linha do punho. Isso garantia uma velocidade enorme na linha do tubo, mas não era uma prancha muito boa em curvas e trocas de borda.

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Diferentes versões da BZ Ben T-10 no começo dos anos 90. Destaque para a “Ben Ts”, prancha bem pequena perto de um mundo de pranchas 42 e 43. Fonte: bodyboardmuseum.com

As pranchas da Morey Boogie seguiam obviamente a linha da Mach 7-7, que é ainda a mais usada até hoje, de bordas razoavelmente paralelas mas com um WP mais para o meio da prancha e uma curva mais suave. Exemplos clássicos desse outline (linha externa) hoje em dia são as pranchas do campeão mundial Ben Player (talvez a linha mais suave e “quadrada” no mercado) e também algumas outras, em sua maioria modelos das marcas australianas. O mercado australiano acabou dominado por um desenho mais suave e quadrado, sempre com bordas muito paralelas e rabeta crescente, que funciona bem demais em ondas rápidas e propícias para o nosso esporte. Hoje não existe mais nenhum “pro-model” australiano com rabeta bat-tail, simplesmente por questões de um mercado que não absorve mais essa combinação.

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Exemplos clássicos da “escola” australiana de proporções e medidas. Da esq. para a direita: NMD Finlay, Versus Jake Stone e Funkshen Ryan Hardy. Fonte: Bodyboardking.com

Mas aí você me pergunta: Como escolher uma prancha analisando o outline/shape? Eu imagino que iniciantes devem acima de tudo escolher uma prancha mais larga, e conforme seu nível e apetite por ondas grandes e mais cavadas for aumentando, diminuimos a largura e o tamanho geral da prancha. Acredito que a largura e o desenho final sejam mais importantes muitas vezes que a precisão com que se escolhe e se comenta tamanho hoje em dia. Sempre dá pra subir ou descer 1/2 polegada no tamanho, mas o outline define incrivelmente como a prancha vai funcionar. Bodyboarders com um pouco mais de peso por exemplo sempre terão vantagem com uma prancha maior e mais larga, assim como os mais altos devem ir atrás de pranchas maiores no tamanho mas sempre com um desenho mais suave e estreito. E tem também quem goste de mais borda, mesmo em ondas grandes. Mas eu sempre dou a dica pra testar o maior número de opções possível, as vezes você pode estar surfando com a prancha errada e nem sabe.

Hoje inclusive vemos a maioria dos bodyboarders de alto nível surfando com pranchas bem menores e extremamente “quadradas”, indo atrás sempre dessa velocidade e rapidez que essa “massa” menor pode dar em uma situação específica. Caso clássico do bodyboarder paulista Renan Faccini e suas pranchas tamanho 40,5. Perguntei pra ele o porque de usar pranchas tão pequenas e ele me respondeu: “Eu sempre gostei de pegar onda com pranchas menores pelo fato de ter uma cavada e resposta mais rápidas do que uma prancha tamanho padrão. Agora existe sim uma dificuldade maior em completar manobras como backflips, mas ao mesmo tempo todas as manobras que são completadas saem mais limpas, porque você só vai conseguir executar com o corpo totalmente colado na prancha. Eu sempre gostei de bater manobras o mais colado possível e para mim a prancha menor tem funcionado muito bem.” Percebemos na resposta do Renan como o tamanho da prancha vai influenciar demais seu estilo e linha de onda. Com aquela prancha menor não adianta querer mandar um backflip onde a onda não tem força.

renan respect Renan usando toda a vantagem de uma prancha mais estreita, com detalhe pro seu Pro Model da marca portuguesa Respect. Fonte: Passing Through/renanfaccini.com

Mas apesar de todo esse apelo atual das pranchas com o desenho mais estreito e rabeta crescente, ainda existem algumas opções mais largas e que remetem a desenhos mais antigos, caso por exemplo das pranchas do hexacampeão mundial Guilherme Tâmega e também da marca brasileira B2BR. No mercado internacional a BZ também ainda disponibiliza modelos um pouco mais largos, assim como as pranchas do havaiano Jeff Hubbard e sua marca Hubboard. Jeff inclusive sempre usou pranchas largas e meio grandes demais pro padrão, mas que funcionam demais pra ele. Como eu disse tudo é uma questão de adaptação e de se descobrir o que funciona melhor pra você.

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Exemplos de pranchas mais largas disponíveis hoje no mercado. Da esq. para a direita: GTBoards Mega-T, B2BR Rebel Pro, BZ Fundamental e Hubboards Hubb Edition. Fonte: Ebodyboarding.com / B2BR.com.br

E como o desenho da prancha vai te ajudar, te atrapalhar ou influenciar o jeito como você surfa? Isso na teoria é bem simples: Com pranchas mais largas, o bodyboarder vai ter mais facilidade em ondas mais fracas ou em momentos em que a onda não tem tanta força, mas em contrapartida em dias maiores a prancha não vai ter toda essa velocidade nas trocas de direção. Já que existe mais “massa” e mais borda, todos os movimentos acabam sendo mais lentos, principalmente nas cavadas e nas trocas de borda. Já com uma prancha mais estreita e com um desenho suave do bico até a rabeta, tudo é mais rápido quando a onda tem força, mas quando se perde pressão a prancha exige de você uma linha de onda mais clássica pra não ficar pra trás. E isso vai definitivamente definir como você surfa, que linha você acaba “desenhando” nas ondas, e de que jeito suas manobras serão executadas e finalizadas. Com uma prancha mais estreita um ARS naquele mar de 0,5 metro vai ser mais arrastado, ou muitas vezes nem completado. Mas naquela bomba de 1,5 metro a cavada mais rápida vai te mandar pro espaço, com certeza.

A partir daí tudo é uma questão de escolha e adaptação. Uma pessoa que entende demais de design de pranchas é meu amigo Christian Brito (que já deu sua opinião aqui no blog sobre as pranchas Parabolic), e a gente sempre conversa demais sobre shape, materiais e lançamentos do mercado mundial. Perguntei pra ele como o desenho de uma prancha pode influenciar o jeito que alguém surfa, e ele me disse que “hoje em dia as pranchas mais estreitas e com pouca curva em seu outline permitem readaptar a maneira de se surfar para algo mais limpo, procurando fazer o que a onda realmente pede e mais importante, o que a onda permite. Essa nova tendência de designs mais limpos e suaves te ajuda a surfar de um jeito mais racional, dando mais tempo para ler a onda, permitindo mais resposta, controle, fluidez, velocidade e bottom turns mais seguros e projetados. Resumindo, os desenhos mais estreitos e de pouca curva permitem manobras mais limpas em ondas fortes, drops mais verticais e muito mais controle dentro do tubo, sem aquela sensação de se estar “dirigindo um ônibus” quando você precisa apenas de pequenas correções e de muita velocidade”.

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Christian usando toda a velocidade de uma prancha estreita pra passar essa bela sessão em Padang Padang. Imagem: Arquivo Pessoal Christian Brito

O segredo é identificar que tipo de onda você surfa normalmente, e as vezes quem sabe ter duas pranchas com características distintas e que se adaptem a diferentes condições, tirando proveito total do seu equipamento. As possibilidades são enormes e achar aquela prancha mágica que funcione bem em qualquer condição é uma proeza e tanto!

Eu tenho usado já a alguns anos as pranchas do campeão mundial Ben Player. Para mim até hoje foi o desenho que se adaptou melhor a diversos tipos de onda e diferentes condições. Vendo alguns vídeos pela internet percebe-se como ele tira proveito de um pouco mais de borda em alguns momentos, mas consegue surfar com maestria ondas extremas como Pipeline, Teahupoo e outras. As pranchas Science da lenda havaiana Mike Stewart também acabam indo pra esse lado com um desenho mais all around, bom exemplo disso é o modelo Pocket LTD que tem praticamente o mesmo desenho das NMD Ben Player. Pranchas como as da marca australiana Found e também as pranchas Pride já tem características menos versáteis e acabam funcionando melhor e quase que exclusivamente em ondas com muita força, graças ao bloco mais fino e desenho muito pequeno e estreito.

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Exemplo de dois shapes estreitos mas ao mesmo tempo versáteis: NMD Ben Player e Science Pocket LTD.

Fonte: nmdboardco.com/ebodyboarding.com 

Agora cabe a você ir atrás e tentar identificar a que desenho/shape você se adapta melhor. Sempre que possível tente surfar ou pelo menos ficar em cima de uma prancha diferente dentro d’água. Assim você vai identificando como funciona a “pegada” de modelos diferentes e o quanto ele flutua com você por cima. Peça sempre e encha o saco daquele amigo ou conhecido que apareceu na praia com um modelo novo. O conhecimento pra tudo nessa vida a gente ganha com diferentes situações e repertórios.

É isso, o próximo post será sobre o sistema ISS de diferentes stringers, grande novidade lançada mês passado.

Até a próxima, te vejo na água!

Paulo Fleury

Novos materiais: desvendando algumas opções do mercado atual

Hoje vou falar detalhadamente de alguns materiais e diferentes versões e combinações disponíveis no mercado. Talvez esse post fique um pouco longo, mas o assunto rende sempre bastante discussão pra quem se interessa e gosta.

Nos últimos anos muito tem se falado dos materiais disponíveis nas mais de 10 marcas de ponta existentes hoje no mercado internacional. Bem diferente de antigamente, quando não haviam opções nem de tamanho (praticamente todas as pranchas eram 43″), e muito menos de bloco, hoje em dia algumas marcas oferecem 4 combinações diferentes de bloco e stringer para cada modelo, como eu já escrevi no post inaugural do blog. O mercado australiano domina o lançamento de novas tecnologias (por razões óbvias) e nos últimos anos vimos a chegada de pelo menos dois novos blocos, lançados pela principal fábrica de pranchas de bodyboard, localizada na Indonésia.

O Bodyboarding foi, desde o começo, dominado pelo Polietileno (também chamado de PE ou Dow), um material já largamente utilizado para produzir embalagens de plástico. O bloco, deck e bordas eram sempre feitos desse material em diferentes densidades. Isso durou praticamente 20 anos, e apesar do surgimento do Arcel no final dos anos 80, o PE reinou absoluto até meados da década de 90, quando apareceu o Polipropileno (PP). O PP é uma espuma mais leve, mais resistente e mais moderna, e só não enterrou de vez o PE depois do seu uso na fabricação de pranchas por ser muito rígido em locais com água mais gelada, como Portugal, Austrália e costa oeste dos EUA. No Brasil depois do fim da Morey Boogie nacional, não houve muita mudança e o cenário infelizmente é praticamente o mesmo desde então, com um pequeno mercado sem inovação a anos (como já comentado aqui também).

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Até meados dos anos 90 quase não existiam opções de bloco e tamanho. Aqui um anúncio da Morey Boogie em 1994, com modelos feitos inteiramente em PE, e Mike Stewart humilhando os simples mortais. Imagem: arquivo pessoal

  Com a diminuição do uso do PE em blocos a partir de 2009 (junto com uma lenda talvez infundada de que a Dow Chemical não fabrique mais blocos de PE), os bodyboarders que surfam em água gelada ou que gostam de um bloco mais flexível se viram com um problema. De início a indústria criou alternativas fundindo os dois materiais (como o bloco “3D” utilizado pela VS/NMD e também pela Pride por volta de 2010 e ainda vendido na Europa), e depois foram sendo desenvolvidos blocos de PP com diferentes densidades, com cada marca os chamando por um nome diferente. Hoje todas as marcas tem essa opção, casos do NRG (VS./NMD/Stealth/Pride), Loaded (Science), EFC (Nomad/Funkshen/QCD) e Paradox Cell (Found). Cada marca utiliza uma densidade diferente, sendo as mais comuns 1.4 e 1.6 libras, sempre combinadas com tela e stringer pra garantir sua resistência. Em Portugal a Refresh vem experimentando diferentes combinações também em suas pranchas sob medida, mas hoje falaremos apenas do que está disponível em lojas ao redor do mundo.

Graças a essas novas densidades, que deixaram o bloco de PP mais leve e mais flexível, novas combinações e “sanduíches” de material foram criados. A NMD colocou duas telas junto com 3 stringers nos blocos NRG, com uma versão também de stringer simples e uma espécie de pilar estrutural embaixo do deck. Outras marcas colocaram stringers “flat” moldados diretamente dentro do bloco. Essa combinação parece perfeita pra água fria, já que utiliza a flexibilidade de um bloco de baixa densidade com a estrutura das telas no fundo e no deck ou stringers específicos.

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O bloco Parabolic em detalhes no seu lançamento em 2011, junto de Nick Mezritz. Imagem: bodyboardingbrasil.com.br

  Mas a opção que mais chamou a atenção nos últimos anos foi criada pela mente do mais famoso shaper e desenvolvida junto com um dos atletas de ponta da atualidade. Nick Mezritz desenvolveu com Dave Winchester ao longo de 2009 e começo de 2010 o que hoje chamamos de bloco Parabolic ou PFS, e chamado por eles na época também de “carpete mágico”. É uma combinação de PP “comum” (1.9lb) no meio da prancha, e PP de baixa densidade (1.6lb) ao longo das bordas. Tudo isso colado por “vigas” estruturais (que são visíveis no deck e no fundo) com uma tela junto do Surlyn. Apesar de toda essa complexidade, a prancha tem o mesmo peso de uma prancha feita inteiramente de PP 1.9lb, mas com uma resposta totalmente diferente. Com uma NMD Parabolic, Dave Winchester dominou o Arica Chilean Challenge de 2010, e a NMD continua até hoje como a principal marca de pranchas de bodyboarding do mundo. Todos os modelos e mais informações das pranchas podem ser encontrados no site da NMD.

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Dave Winchester no Arica Chilean Challenge de 2010 com uma das primeiras pranchas PFS. Imagem: fluidzone.com

Eu particularmente só consegui comprar e testar uma prancha com esse novo bloco no final do ano passado, e surfei poucas vezes com ela. Alguns dias pequenos no Guarujá ainda não me deram uma noção completa do que esse bloco é capaz. Por isso convidei uma pessoa que tem experiência com esse bloco desde 2011, pra colocar alguns detalhes e impressões aqui e desvendar ainda mais esse assunto tão interessante pra uns, e deixado de lado muitas vezes pela maioria.

Conheço o Christian Brito de vários dias em Paúba, ele surfa lá desde 1988 e sempre que o mar sobe de verdade é figurinha carimbada, tem bastante experiência em diferentes equipamentos e viagens, ou seja, tem tudo a ver com o blog e principalmente com esse assunto:

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Christian em uma bela esquerda na Indonésia. Imagem: arquivo pessoal

“Meu primeiro bodyboard foi em 1986, uma aussie laranja e branca da Morey Boogie. De lá pra cá não parei, são quase 30 anos de esporte nos meus 40 anos de idade. Já viajei bastante ao redor do mundo e visitei diversas vezes lugares como Indonésia, América Central, África, Fiji e Noronha, sempre em busca de ondas boas e tubos.

No final de 2011 consegui uma Parabolic para usar em mais uma trip pra Noronha, e o resultado não poderia ter sido melhor. Posso dizer que a mistura de onda boa com o bloco PFS é, na minha opinião, imbatível. Fiquei simplesmente abismado com a velocidade da prancha, a projeção, a forma como ela flui na parede em ondas tubulares e permite um controle muito maior que as pranchas de PP simples. Acho que as Parabolics não se comparam com nenhuma outra prancha em termos de velocidade e projeção.

Minha humilde conclusão, portanto, é que as Parabolics projetam incrivelmente mais que os blocos normais de PP que usei até hoje, chegando até a dar a impressão que tem alguém dando um “empurrãozinho”. Mas acho que ela demanda uma linha de surf um pouco diferente pra dar este resultado. É uma prancha excelente pra se fazer um surf mais de borda, mais fluído, pois a maior flexibilidade dela está exatamente nas bordas. Talvez seja até um pouco mais dura no geral, mas quando se acerta a linha e se começa a utilizar as bordas ela simplesmente dá uma velocidade incomparável, dando ainda um controle semelhante aos blocos mais flexíveis, seja pra tubos ou manobras. Eu já tive algumas Parabolics desde 2011 até hoje, e dentre todas pranchas que tive a oportunidade de usar – não foram poucas – considero a melhor prancha disponível no mercado.”  Christian Brito

Jason Finlay mostrando do que o bloco PFS é capaz. Vídeo: IBA/YouTube

  Ou seja, fica nítido lendo o texto acima que o PFS é um bloco pra ser usado em ondas realmente boas pra Bodyboarding, e pela flexibilidade extra que ele fornece, pode ser usado em ondas com água gelada, como vimos Dave Winchester em Arica e Jason Finlay nas Ilhas Canárias. E por ser muito rápido, vai acabar funcionando naquele mar de ondas um pouco mais cheias, mas sempre levando-se em conta a linha de onda e troca de bordas.

Nick Mezritz explica pessoalmente de onde veio a idéia para criação do PFS, em vídeo disponibilizado pela loja B2BR

Com a centralização da produção mundial de pranchas em apenas duas fábricas na Ásia, nos próximos anos talvez vejamos novos materiais e novas combinações de bloco, telas e stringers. A indústria hoje (limitada a praticamente duas grandes fábricas) acaba comprando lotes únicos de material muito maiores que antigamente, e os fornecedores de matéria-prima tem olhado o mercado de uma forma diferente e se interessado em desenvolver novidades. Vide os blocos EFC moldados com stringers flat, e os stringers interligados feitos da mesma forma nas pranchas Found de Mitch Rawlins e sua turma.

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Bloco EFC Red encontrado nas pranchas Nomad, Funkshen e QCD, com seus dois stringers “flat”. Imagem: nomad.com.au

  Voltaremos a falar desse assunto, eu particularmente acredito que o material influi diretamente na performance e no estilo e linha de onda dentro d’água, e sempre me interessei demais por tudo isso. Espero que esse texto possa ir mudando um pouco o interesse das pessoas aqui no Brasil quanto a isso. Já que as pranchas importadas dominam completamente o mercado, é melhor saber exatamente o que se está comprando!

Até a próxima, te vejo dentro d’água!

Paulo Fleury

As marcas de surfwear e sua relação com o Bodyboarding

A discussão em torno das marcas de surfwear e seu apoio ou desprezo ao mercado do Bodyboarding mundial não vem de hoje. Ela data da metade dos anos 90, com o começo de uma crise mundial na época e a consequente retirada de muitas marcas do mercado em geral.

Pra quem não sabe as marcas de surfwear já investiram pesado no nosso esporte, inclusive com as chamadas “Big Threes” (Billabong, Rip Curl e Quiksilver) mantendo grandes times de atletas e em alguns casos até linhas de prancha, como é o caso da Quiksilver com as chamadas Q-boards na metade dos anos 90. (vide imagem abaixo). Pela lógica nós bodyboarders temos o mesmo estilo de vida, e gostamos de quase as mesmas coisas que nossos “tão queridos” amigos surfistas. Isso já seria o suficiente para despertar o interesse de marcas que lucram milhões de dólares fazendo um ciclo de investimentos em atletas e imagem, para que esse estilo de vida gere interesse em possíveis consumidores, surfistas ou não. Mas essa lógica não tem sido suficiente, e hoje o esporte não consegue ainda se firmar com o seu ciclo próprio de marcas e consumidores.

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Não, isso não é uma miragem. É sim um anúncio da Quiksilver e sua linha de pranchas na Austrália, por volta de 1999. Imagem: Arquivo pessoal

  No surgimento e consequentemente no chamado “boom” do esporte, do final da década de 80 em diante, até o meio da década de 90, pegar onda com uma prancha de bodyboard além de muito divertido fazia parte do que era moda na época. Comerciais de TV mostravam como o Bodyboarding era simples, seguro e divertido, e a mídia aberta cobria a maioria dos eventos e campeonatos. Isso acabou chamando muito a atenção das marcas que faziam parte do universo do surf, e que inteligentemente não queriam perder uma bela fatia do mercado formada por “novatos” que começavam a praticar um esporte relacionado à praia. Sendo assim Billabong, Rip Curl e Quiksilver, junto com outras marcas menores, patrocinavam atletas do agitado mundo do Bodyboarding na época.

Mike Stewart teve por algum tempo patrocínio das roupas de borracha O’neill e também da marca Gotcha (que depois se tornou MCD), a Billabong tinha em Seamas Mercado seu garoto propaganda, e a Quiksilver apostava na jovem promessa do dropknee Paul Roach. Sem falar em marcas menores e seus respectivos atletas como a Body Glove e Local Motion que patrocinavam Ben Severson, um dos maiores nomes na época.

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Mike Stewart e seu estilo inconfundível estrelando anúncio da O’neill, por volta de 1992. Imagem: Arquivo pessoal

  Mas depois que o Bodyboarding deixou de ser novidade, as marcas foram gradativamente deixando o esporte de lado, juntando-se à idéia de que era algo pra iniciantes, e que não colaboraria com a imagem “descolada” que o surf buscava na época. Com uma crise econômica crescente nos EUA, apenas as filiais locais das marcas mantiveram os patrocínios aos atletas, caso de Ben Player pela Quiksilver, e o grande time que a Billabong possuia na Austrália, com nomes como Ryan Hardy, Andrew Lester, Mitch Rawlins, Damian King, Matt Lackey e também com o sul africano Andre Botha. Como a Austrália já era uma potência como mercado, ninguém queria deixar de lado todo esse potencial.

  Mas no resto do mundo era diferente, e uma grande crise econômica nos EUA acabou por colocar a última pá no já decadente mercado americano, que ainda era o centro das atenções com as principais marcas. Mas já ouvi uma história de que a Quiksilver propôs a nada menos que Mike Stewart, em meados dos anos 90, um contrato de patrocínio, que não foi aceito pelo onze vezes campeão mundial. Diz a lenda que Mike Stewart exigiu à época ganhar o mesmo que Kelly Slater ganhava, como que tentando colocar o Bodyboarding no mesmo patamar de importância do surf. A Quiksilver não aceitou, e Mike Stewart depois da O’neill e da Gotcha não teve mais nenhum patrocínio de roupas ou wetsuit, continuando somente como atleta da Morey Boogie.

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A Billabong também queria uma fatia do esporte da moda, no começo dos anos 90. Aqui um anúncio na Bodyboarding Magazine, em 1991. Imagem: Arquivo pessoal

  Depois de todo esse apoio e consequente abandono, eu imagino que hoje em dia com um mundo totalmente interligado e globalizado, onde as pessoas não pensam mais sem o uso de internet e com a grande influência das mídias sociais, as grandes marcas tem um certo receio de que o Bodyboarding cresça realmente e se torne algo descolado para as massas. Exatamente do mesmo jeito que aconteceu a 25 anos atrás, quando estávamos na mídia a toda a hora. Acho até que seria um pouco de medo, já que nos últimos 10 anos os bodyboarders se tornaram referência na descoberta de ondas extremas e bizarras, colocando muito da imagem do surf apenas como algo da moda e não tão radical. O Bodyboarding está hoje no quesito radicalidade muito a frente de nossos “colegas em pé”, isso é fato.

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Paul Roach era atleta da Quiksilver em 1991. Imagem: Arquivo pessoal

  Todo esse desligamento da imagem do surf praticado em pé, que as grandes marcas quiseram tanto e ainda insistem, com a mídia impressa batendo também nessa tecla, acabou criando um ambiente propício para um pequeno crescimento do mercado de produtos específicos para Bodyboarding no mundo todo. Vimos ao longo dos últimos 5 anos um crescimento do mercado de roupas de borracha específicas para o esporte. Só na Austrália temos 6 marcas diferentes, e existem outras marcas ao redor do mundo também. Isso quer dizer que o mercado e seus respectivos consumidores não se enxergam mais como “dependentes” do mundo do surf. Se eu surfo deitado o tempo todo, porque eu vou comprar uma roupa que é feita para ser usada de pé? Pense nisso na sua próxima compra e fortaleça o nosso já limitado mercado, nada de roupa de borracha da Quiksilver, Billabong e similares. Eles não estão nem aí pra você e sua prancha de bodyboard.

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O mercado de roupas de borracha cresceu nos últimos anos. A Reeflex é um exemplo de fabricante específico para Bodyboarding. Imagem: reeflex.com.au

  Talvez o único exemplo que ainda exista de um patrocínio de uma grande marca a um bodyboarder seja o caso do francês Pierre Louis Costes com a Rip Curl, embora seu contrato seja com a filial francesa, e seu nome apareça apenas no site europeu da marca. Se a própria marca patrocinadora “esconde” seu atleta, eu pelo menos não me sinto à vontade em comprar seus produtos. Parece aquele seu conhecido que te dá tapinhas nas costas, mas quando você vai embora ele fala muito mal de você. Ou seja, queremos o seu dinheiro, mas não pegue onda deitado, isso não é tão legal aos nossos olhos. Fica aqui a reflexão, pense bem na hora de comprar aquela camiseta ou roupa de borracha da Rip Curl e de outras marcas.

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Porque a Rip Curl Internacional não patrocina nenhum bodyboarder? Aqui PLC e seu patrocínio “regional”. Imagem: bodyboardpt.com

Semana que vem tem mais, vamos falar sobre viagens, algo que está sempre na cabeça de quem pega onda. Até lá!

Paulo Fleury

Bodyboarding: o mercado brasileiro e seu despreparo e sonolência

O mercado nacional sofre já a algum tempo com a falta de boas opções quando se fala em comprar uma prancha de bodyboard. Já não bastasse a completa falta de lojas físicas especializadas (diferente de países como EUA e Austrália), o mercado foi dominado por marcas nacionais que pouco ou nada acrescentaram nos últimos 10 ou 15 anos em termos de inovação e investimento. São utilizados os mesmos materiais, os mesmos modelos, as mesmas cores, enfiados goela abaixo dos consumidores ditos “comuns” e também da maioria dos atletas profissionais que não tem nenhum tipo de apoio ou patrocínio e tem que pagar as pranchas do próprio bolso. Enquanto isso no exterior houve uma enxurrada de novas tecnologias e desenvolvimento de novos blocos e produtos, mudando completamente o mercado.

Isso acabou nos últimos anos criando no Brasil uma grande procura por pranchas importadas, e junto com a facilidade de compra através da internet, o que vemos hoje é uma avalanche de marcas estrangeiras nas ondas brasileiras. Difícil ir a algum pico tradicional do esporte hoje em dia e não ver alguém com equipamento importado. Com a estabilização do dólar americano, essas pranchas acabaram se tornando um belo negócio também financeiramente, saindo por quase o mesmo preço dos “pré-históricos” modelos nacionais. Se for colocar na balança os quesitos qualidade de construção, variedade de materiais e etc, fica claro o porque de toda essa procura. Hoje então já se consegue comprar um modelo importado inclusive de alguns sites com estoque localizado no Brasil, como é o caso da loja B2BR, que nem vende pranchas nacionais. Isso mostra como o produto importado vem engolindo a produção nacional nos últimos anos.

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Quatro diferentes opções de blocos de um mesmo modelo (NMD Ben Player) , disponíveis no mercado australiano. Da esq. para a dir.: Parabolic, Pro Ride, Kinetic PP e NRG / imagens: bodyboardking.com

Mas tudo isso não é por mero acaso. Enquanto lá fora temos até 4 ou 5 tipos de bloco para cada modelo de prancha, com opções para diferentes temperaturas de água, ondas e estilos, aqui o mercado está limitado a blocos muito duros, colocando sempre a durabilidade da prancha em primeiro lugar, algo que em condições extremas de onda pode até ser perigoso. Parece até que a essência única e singular do esporte, que é a flexibilidade da prancha em comparação as pranchas de surf, foi colocada de lado. A justificativa seria a dificuldade de importação de matéria prima de qualidade, o que encareceria ainda mais as já caras pranchas nacionais. Mesmo as pranchas importadas ainda vendidas aqui, são oferecidas em apenas uma opção de bloco, logicamente o mais duro.

  Aqui chegou-se ao cúmulo da maior marca do país anunciar em seu próprio site pranchas de uma outra marca portuguesa, atestando e assinando embaixo inconscientemente (ou seria conscientemente?) a pouca qualidade do produto nacional. Imaginem uma marca de carros vender em seu site carros importados de uma outra marca concorrente. No mínimo uma estratégia sem pé nem cabeça, pra não dizer outra coisa.

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Exemplo de publicidade na Austrália: a prancha que o campeão Ben Player usa é a mesma que você encontra na loja / imagem: bodyboardking.com

  E assim tem caminhado as marcas e o mercado de produção nacional, sem materiais de qualidade, com preços no mesmo patamar de produtos importados ou até mais caros, e sem uma identidade visual ou valor de marca que faça com que os consumidores se sintam atraídos por seus produtos. Lá fora é nítida a preocupação das marcas de ponta com o “link” entre os atletas e seus modelos de prancha, os chamados “pro models”. Todos sabem o poder que as cores tem e o quanto isso pode fazer diferença em uma venda, e as suas diferentes combinações são realmente levadas a sério e seguidas à risca. Todos acabam sabendo a qual atleta pertence aquele modelo, simplesmente pela combinação de cores da prancha. Isso se chama “identidade”, e pra uma marca é o bem mais valioso junto de sua qualidade. Enquanto isso no Brasil vemos profissionais cada hora com uma prancha com combinação de cores diferente, e não existem “coleções” de ano para ano. Os mais jovens querem usar a prancha que o campeão usa, isso é mais do que óbvio. Mas qual a cor da prancha e que tipo de rabeta que o super campeão mundial Guilherme Tâmega usa por exemplo? Não sei e ninguém sabe, cada hora é uma diferente. E é aí que está o grande erro. Na verdade o Brasil é uma mina de ouro em tamanho de mercado e número de praticantes, mas essa mina é simplesmente jogada no ralo pela pobre estratégia das poucas e sonolentas marcas nacionais.

  Talvez em 2014 algo mude de figura, já que a Genesis está fabricando a sua linha “high end” na mesma fábrica que produz algumas das melhores pranchas do mundo, estratégia essa que vem sendo usada no mundo todo para padronizar qualidade e baratear custos de produção.

  Bom, nos próximos posts vou entrar em mais detalhes sobre o mercado mundial, descrever o comportamento de alguns tipos de materiais na água, e também já tenho em mente alguns posts sobre a história do esporte e competição, inclusive tentando decifrar o que acontece com o atual circuito mundial da IBA. Tem muita coisa ainda e isso aqui foi só o começo.

  Boas ondas e te vejo na água!

  Paulo Fleury