Ben Severson Designs: uma pequena fábrica de inovações.

Depois de quase 6 meses sem postagens, retomo o blog com um post já planejado desde o início do mesmo, lá em 2014.

No final dos anos 90 e começo dos anos 2000, uma das principais marcas de pranchas de Bodyboard do mundo era a BSD, comandada por um dos maiores nomes da história do esporte, a lenda Ben Severson.

bz-ben-capa_colagemCapa da Bodyboarding de Setembro de 1996 com Ben Severson e a publicidade da BZ dentro da revista, já mostrando a T-10 com as bordas arredondadas. Detalhe para o monstruoso bico de 14,5 polegadas. Fonte: Arquivo Pessoal BBing Magazine

Em meados de 1997 depois de sair da BZ, Ben Severson pensou e desenvolveu uma linha completa de pranchas com algumas inovações que ele já havia usado anteriormente em alguma prancha de sua agora então marca concorrente. Alguns acessórios já haviam sido lançados em 1996 e já eram sinônimo de qualidade, caso dos leashs/estrepes de espiral branco que além de resistentes eram muito bonitos e estilosos. Havia também grips de borracha e uma cordinha para pés-de-pato que é até hoje uma das melhores na minha opinião (vide imagens abaixo).

bsd_banner-abreAlguns dos primeiros anúncios da BSD nas páginas da extinta revista americana Bodyboarding Magazine, com Ben e o também havaiano Nelz Vellocido. Fonte: Arquivo Pessoal BBing Magazine

As primeiras pranchas lançadas por Ben tinham como principal diferencial as bordas “transitional”, algo criado por ele e já testado nas últimas T-10 feitas na BZ em 1996. Eram bordas que começavam lá no bico totalmente arredondadas (já que nessa área quase não entram em contato com água numa cavada por exemplo), e a medida que iam caminhando em direção à rabeta toda a parte de baixo ia ganhando um ângulo como nas pranchas tradicionais de hoje em dia, terminando em 50/50. A idéia era que da metade pra cima da prancha as bordas não deveriam “cravar” na parede da onda nem criar qualquer tipo de resistência, apenas deslizar. Já toda a metade inferior tinha a responsabilidade de manter a prancha presa à parede da onda e te colocar no trilho. Com um template vindo das BZ, com bico grande e bordas bem paralelas, as BSD eram um foguete em ondas tubulares. Outras características únicas eram as canaletas enormes (com quase 50% a mais de tamanho das tradicionais) e uma opção bem diferente de rabeta redonda para ondas menores. Nessa época a indústria americana fabricava os melhores blocos de Polypro do mundo, e a construção das BSD era impecável com suas bordas sem emendas e acabamento primoroso. Eram pranchas que chamavam muito a atenção por essa qualidade de construção e diferentes inovações.

gear-guide_colagemAs pranchas BSD no Gear Guide da revista Bodyboarding em dois momentos: a primeira linha em outubro de 1997 (ainda com o bloco em Arcel) e o modelo “113” de rabeta redonda e bloco PE. Fonte: Arquivo Pessoal BBing Magazine

Assim como dentro d’água a disputa de Ben Severson com Mike Stewart continuou fora dela, já que suas pranchas e acessórios batiam sempre de frente com a linha Science do 9 vezes campeão mundial (numa história já contada aqui). Ben Severson tinha uma bela equipe de atletas com os havaianos Lanson Ronquilio e Nelz Vellocido, e inclusive chegou a apoiar/patrocinar atletas brasileiros como os tops do circuito mundial Hermano Castro e Soraia Rocha, licenciando também suas pranchas para serem fabricadas no Brasil pela Genesis. Uma pena que essas pranchas não tinham absolutamente nada em relação aos exemplares havaianos e seguiam com os mesmos materiais usados aqui (blocos Duralight e fundo HDPE).

bodyboard_sorraiarocha2_pedromonteiro_div

A campeã mundial Soraia Rocha com sua prancha BSD de bordas transitional numa etapa do mundial no Rio de Janeiro. Fonte: Google.com/Pedro Monteiro

Com uma crise no mercado americano a partir da metade dos anos 2000, Ben Severson acabou deixando as pranchas stock um pouco de lado e acabou reservando seu tempo apenas para pedidos custom (sob medida). Nessa época a maioria das marcas começou também a passar a produção para fábricas fora dos EUA (como a Science por exemplo), e a hoje tão  famosa fábrica capitaneada por Nick Mezritz começou a ganhar força e fabricar pranchas para quase todas as marcas. O mercado australiano começou então a ditar os rumos dos equipamentos e assim algumas marcas americanas foram perdendo o espaço que tinham junto com os reflexos da tal crise, caso da super tradicional marca californiana Toobs por exemplo. O fim da revista Bodyboarding Mag acabou também com a pequena força que o mercado americano ainda tinha, e hoje vemos um total domínio do mercado australiano. Hoje em dia a única marca americana/havaiana que ainda tem fôlego para bater de frente nos diferentes mercados ao redor do mundo é a Science de Mike Stewart e talvez também a Hubboards, infelizmente.

bsd1Anúncio em página dupla na revista americana Bodyboarding em 2000, com o modelo 2042 e o famoso leash com espiral branca. Fonte: Arquivo Pessoal BBing Magazine

Atualmente ainda é possível ter uma prancha BSD, seja fazendo um modelo sob medida a seu gosto ou encomendando um template padrão parecido com os modelos antigos. Ben Severson continua fazendo as pranchas com todas as opções disponíveis à época e pode também adaptar essas características aos templates mais atuais. Confesso que tenho muita curiosidade de fazer uma custom com medidas “atuais”, mas com o conhecimento mágico que essa lenda viva ainda tem. Uma prancha com medidas da NMD Ben Player e bordas transitional e canaletas enormes seria incrível, não?

bsds_colagemAs duas BSDs que tive o prazer de usar, uma 2042 PP e outra Custom PP com medidas de uma Science E3 da época: pranchas excelentes, mas pouco duráveis.

Nos próximos posts eu imagino que teremos algum review de prancha, já que tenho prometidos pra 2017 dois test-drives com marcas bem conceituadas no mercado. A temporada de ondas aqui na região sudeste começa logo mais e vamos aguardar.

Até o próximo post, te vejo na água!

Paulo Fleury

Advertisements

40 thoughts on “Ben Severson Designs: uma pequena fábrica de inovações.

  1. Mais uma vez, obrigado por escrever sobre essa época mágica de nosso esporte. Não apenas ajuda a nova geração (carente de referências e sem nenhuma noção da progressão técnica e histórica do bodyboarding) como faz a coletividade ligada ao esporte entender a importância do legado para a busca de inovações, seja revisitando conceitos de outrora com novos materiais, seja propondo soluções recentes em combinação com as técnicas tradicionais.

    Mahalo!

    • Obrigado! É sempre muito legal relembrar a história do esporte, principalmente de uma época recente onde não havia Internet como hoje e toda a mídia funcionava de uma maneira totalmente diferente. Valeu, abraço!

  2. Olá mestre Fleury, já estava mais q na hora de novos posts!!!
    No aguardo dos tests drives das pranchas!!!
    Parabéns pela matéria…abraços!!!.

  3. Caro Fleury
    Lendo a matéria acima, me veio a dúvida sobre o que impacta na perfomance pranchas com bico largo….tipo, comprei um GT Flash e este é cabeçudo……soube ainda que os novos modelos terão bicos mais largos….Grato.

    • Fala Daniel, tudo bem? Então, um bico maior e/ou uma maior área na parte de cima da prancha acaba deixando a prancha um pouco mais presa na parede, facilitando os tubos e permitindo andar numa linha “mais alta”. Consequentemente as trocas de borda ficam um pouco mais presas e a prancha não troca de direção com tanta rapidez. Espero ter te ajudado! Abraço!

  4. Entendi, seria então por isso que é um estilo mais clássico, que é a proposta desta GT Flash. Consequentemente, portanto, para manobras tipo 360, rolo, ficaria a prancha mais lenta e mais difícil de executar?

    • Nos shapes atuais a diferença vai ser imperceptível, você sentiria alguma coisa se o bico tivesse 13 ou 14 polegadas como as BSD aí do post tinham. Em qualquer prancha do mercado atual o que vai definir mais o comportamento é a altura do wide point mesmo. As GT já tem o WP um pouco mais alto e isso facilita as manobras de base como 360 e rollo.

  5. Mais um ótimo e nostálgico post!

    Na minha visão, fico abismado como o mercado americano se retraiu e ficou para trás em relação ao australiano e até mesmo o europeu.

    Antigamente existiam muito mais marcas como Custom x, Cartel, Lmop, Toobs, Vortex, entre outras.

    Tive duas custom Toobs a cerca de 10 e 6 anos atrás e as pranchas eram excelentes, isso quando o bloco era o extruded propylene. Posso esta falando bobagem, mas acho que depois da extinção desse bloco acho que todas as pranchas feitas “Made in Usa” caíram muito de qualidade.

    Shapers como Pma e Yamo, apesar de ainda dominarem a arte de manufaturar uma prancha, não tem acesso a materiais de qualidade como o das pranchas fabricadas na Indonésia. Talvez só a customs da Toobs se salvem.

    Abs

    • Fala Rafael, primeiramente muito obrigado! Quanto ao mercado americano o que eu imagino que contribuiu para sua diminuição foi o fim de um circuito americano forte que sempre serviu como alavanca pra indústria, junto com a revista Bodyboarding. Quando isso terminou as maiores marcas não conseguiram vender sua imagem fora dos EUA e aí já era. Quanto aos blocos tem sim essa diferença do extruded pro beaded PP, mas não acho que seja tão grande, hoje as pranchas tem certas tecnologias que acabam engolindo essa diferença. A Toobs ainda faz pranchas de alto nível assim como o PMA pra Custom X, já vi uma de perto e é no mesmo nível das customs australianas. Mas como você disse o material da fábrica do Mez ainda tá um pouco acima e isso faz a diferença naquele acabamento primoroso de borda e emendas. Valeu!

      • Pois é, queria muito poder encomendar uma custom da Toobs, mas o modelo de envio deles torna o preço do frete impraticável.

        Com relação as customs australianas, desconsideraria somente as da marca Found. Não sei se eles ainda fazem customs, mas achei o acabamento da prancha muito inferior. A maior prova disso é que uma das bordas descolou na terceira queda. Provavelmente você deve saber que o ex shaper das Founds customs criou uma nova marca chamada Basic Boards.
        Abs!

        • Então, eu ouvi dizer que essas Found Customs eram ruins mesmo, um amigo fez uma com bloco pra água fria e a prancha ficou negativa depois de 3 semanas… Pra gastar esse $$$ na Austrália melhor já fazer uma QCD logo de uma vez, são sem dúvidas as melhores customs do mercado mundial. Valeu, abraço!

  6. Falando em marcas de bodyboards Fleury, qual a sua opinião acerca das Prides? Dando uma olhada no site desta
    marca, podemos ver vários modelos…
    Abração

    • Fala Daniel, eu pessoalmente nunca tive nem usei uma Pride, mas pelo que já vi me parecem pranchas mais específicas para ondas fortes e/ou um estilo mais fluído que use sempre a força da onda para fazer as manobras. Nunca me interessei em ir atrás de uma também por eles não terem tamanho 42.5 , que é o que eu uso. Mas são pranchas de construção perfeita já que são feitas na mesma fábrica das NMD e Science por exemplo, então por esse lado recomendo de olhos fechados caso você se encaixe nesse desenho deles mais específico, que as vezes não funciona muito dependendo do tipo de onda que você surfe. Eu geralmente acabo preferindo algo mais “all around” que se adapte melhor ao maior número de condições. Espero ter ajudado, abraço!

  7. Ok…grande Fleury, era só pra saber sua opinião acerca desta marca. Na verdadtêtenho um GT flash e estou gostando muito. Coloco ato outra questão, minha GT tem deck ixl, que Vc disse que não gosta, portanto, qual diferença desta da nxl e da wbs?

    • Então Daniel, o deck NXL é usado a mais de 30 anos em praticamente todas as pranchas High End do mercado, é o que tem a melhor resposta e que aguenta relativamente bem as pancadas. O deck Crosslink surgiu no começo dos anos 90 vendendo uma idéia de maior durabilidade, mas em troca disso a prancha não cava da mesma maneira nem tem a mesma resposta. Eu sempre lembro aqui que prancha de Bodyboard não foi feita pra durar já que ela funciona sempre flexionando pra te dar velocidade. Uma prancha nunca vai ser eterna, nem deve… Então eu particularmente acho que o NXL é o melhor e o que te dá mais velocidade nas cavadas, com a melhor relação durabilidade/performance.

  8. Grande Paulo!! sempre muita tecnicidade, o que falta no esporte. Um ponto para discussão no futuro seria o tamanho das pranchas – cada vez menores. por exemplo, como você sabe, eu só caio com a 42,5 NMD Bem Player ISS sendo que sou bem mais pesado que você – 100 kg. Mas, prefiro hoje em dia surfar com prancha pequena – acima de 43 (tenho uma 44 NMD Bem Player) só mares de muito volume e acima dos 10 pés como G-Land. Ouvi de um bbder Europeu que eles gostam de usar prancha grande para mar pequeno…ou seja, fica a sugestão dessa análise de tamanhos e tendências….abração e LN na cabeça

    • Então, acho que já comentei alguma coisa por aqui sobre isso, inclusive acabo usando pranchas um pouco menores em dias maiores também. Acho que mais até do que o tamanho, hoje em dia a flutuação e desenho geral da prancha acabam influenciando demais. Comecei a ver que algumas marcas estão fazendo pranchas cada vez mais finas, e isso influi mais até do que essa meia polegada a mais ou a menos. Talvez seja a hora do mercado começar a discutir o volume geral da prancha do mesmo jeito que o mercado de pranchas de surfe já discute a tempos (litros e coisas do gênero). E isso que você disse de ondas com muito volume faz todo o sentido, um pouco mais de borda naquela cavada mais longa ajuda e muito em ondas de linha como G-land. Fica aqui anotada a sugestão, esse assunto rende sim um post… valeu!

  9. E Fleury pranchas com tela no fundo e skintec como as flash Gold GT boards…. têm um peso um pouco maior que a flash sem skintec, lógico, mas, na água flutuam mais? Grato

    • Fala Daniel, o Skintec é apenas mais uma camada de material por baixo do deck, e o bloco principal deve ser lixado pra prancha quando pronta ficar com a mesma grossura que outros modelos no mercado. Imagino que não exista diferença perceptível. Provavelmente uma prancha mais larga e com wide point mais alto vai acabar tendo mais flutuação independente do material. A não ser que seja uma prancha inteira de PE com 2 stringers, o que eu acho que nem exista mais tão fácil hoje em dia. Valeu!

      • Fleury, com relação a tamanho de pranchas/flutuação, por exemplo, uma prancha tamanho 42″ suporta até quanto de peso do bodyboarder? É por que para as minhas medidas 1,84m de altura e 84 quilos devo usar e uso um BB 42,5 bat tail flash GT…até já falei para vc que pretendo “descer” para um tamanho 42″ bat tail…só fico com receio de perder em muito a flutuação da prancha, apesar das GTs apresentarem um bloco mais grosso em relação às demais marcas e além do mais o novo modelo GT flash virá mais cabeçudo do que o anterior…Outra coisa, conheço alguns BB que usam tamanho menor com a rabeta crescent…Valeu

        • Vai depender muito das medidas da prancha e do “volume” que ela tem na água. Hoje em dia muitas marcas estão afinando cada vez mais os blocos, então pra você por exemplo uma Pride 42″ estaria fora de cogitação eu imagino. Acho que melhor do que descer 0,5 polegada seria de repente pegar uma prancha com a rabeta crescente, vai tirar um pouco de volume no geral (quase nada) e vai te dar mais velocidade nas cavadas e trocas de borda. Dá uma olhada nas Science Launch 42.5, são pranchas mais estreitas um pouco e que podem de repente te ajudar aí no que você quer. Se quiser mesmo “descer” recomendo aí uma Hubboard 42 que vai manter mais ou menos essa mesma ideia da Flash mas com um pouco menos de volume e tamanho. Quanto a usar prancha menor trocando pra rabeta crescente, na minha cabeça não faz muito sentido porque aí você tá perdendo volume duas vezes, a não ser que seja pra uma onda super rápida em fundo de pedra. Eu mesmo já não tenho mais trocado de tamanho, tenho pranchas 42.5 com shapes mais largos/mais estreitos e vou adaptando o uso conforme a onda ou o tamanho do mar. Espero ter ajudado, valeu!

  10. Grande Fleury… poderia indicar os materiais para pranchas usadas em água quente? E alguma novidade de test drive?

    • Fala Daniel, pra água quente tem que ser o clássico PP, Surlyn, com stringer e tela (tela dupla se possível ou sistema ISS e stringer de carbono). Eu pessoalmente não gosto de stringer duplo, mas em ondas menores pode dar aquela velocidade a mais e resistência também. Aí vai do gosto pessoal mesmo (Jared Houston por exemplo usa as vezes duplo stringer em ondas grandes) e tipos de onda, quanto mais rápida e buraco for a onda mais flexibilidade será preciso, lógico que com firmeza pra ter velocidade.

      Quanto a Test Drive ainda estou no aguardo pra receber uma prancha, mas provavelmente vou acabar fazendo mais um review de uma prancha de uso pessoal pra não ficar tanto tempo sem postagens.

      Obrigado pela mensagem e espero ter ajudado, valeu!!!

  11. Caro Fleury, vi uma divulgação da Gênesis com os novos modelos 2017/2018. As pranchas tem um aspecto muito interessante, digo, bem acabadas, apesar dos materiais bloco duralight, fundo HDPE, enfim, tudo o que vc não gosta, kkkkkk.
    Mas, apenas para colocar uma situação aqui no blog, o que impactaria na qualidade do surf o uso destes modelos PRO em mares pequenos como no nordeste (maior parte do ano)? E outra, até podemos verificar o uso das pranchas Gênesis nas maiorias dos campeonatos nacionais e inclusive em etapas do mundial deste ano, a exemplo do atleta profissional Roberto Bruno, que se saiu muito bem com tal equipamento….E sem falar na condição de muitos bodyboarders e adquirir pranchas gringas..
    Obs: não é uma apologia as pranchas nacionais, até porque uso uma GT Flash, mas, é porque com meu nível de surf e tamanho de ondas surfadas não noto uma grraaande diferença….
    Valeu

    • Fala Daniel, bem polêmica essa sua dúvida… 🙂 Mas vamos lá: Eu particularmente não gosto muito das pranchas Genesis pelo fato de não ter havido nenhuma mudança substancial nos materiais em todos esses anos (mais de 15 anos), além de não existir uma preocupação com possíveis clientes no que diz respeito aos shapes, materiais, informações e medidas… Inclusive já escrevi sobre isso no primeiro post aqui do Blog. Você entra no site deles e não há especificação de nenhum dos produtos. O site é o mesmo desde 2013 (!?!). Se você se auto denomina o fabricante “de simplesmente as melhores pranchas do mundo” (vide Instagram da marca em postagem recente), seu “approach” tem de ser minimamente profissional. Você citou aí o Roberto Bruno… Me diga então quais as medidas da prancha que o Roberto Bruno usa, e quais os tamanhos e as cores disponíveis? Qual o material do fundo por exemplo? Ninguém sabe e não dá pra garantir que a prancha usada por ele não foi feita de uma outra maneira especificamente pra ele e pro campeonato no Chile. Foi comentado também recentemente que as tão faladas pranchas importadas custam o dobro do valor de uma Genesis. Mas isso é quase que meio óbvio, já que os materiais usados são completamente diferentes e muito mais caros, caso do Surlyn e também dos blocos e diferentes tecnologias disponíveis. Blocos com vigas, telas, skintec, fundo Surlyn e sistema ISS vão sim custar mais caro, até porque as pranchas são importadas e baseadas numa cotação cambial que está bem longe de ser amigável.

      Quanto a performance na água meu parecer se baseia no que eu sempre ouvi de muitos bodyboarders que usam/usaram Genesis, que são pranchas extremamente duras para condições ideais do nosso esporte (ondas rápidas e muito buraco). Meus comentários aqui são sempre em relação a esse tipo de condição, já que o nosso esporte só pode ser praticado na sua totalidade em ondas desse tipo. Quanto a usar pranchas mais duras em ondas mais comuns, eu sempre encorajo esse tipo de coisa, já que em ondas pequenas a gente sempre acaba forçando bastante a prancha e realmente aquela prancha de mega-alta-performance vai acabar sofrendo mais. Se você está interessado numa prancha nacional pra dias mais “comuns”, vá em frente… Só não podemos mesmo fechar os olhos pro enorme abismo que separa a indústria nacional de todas as marcas que lá fora ainda buscam inovações pro nosso esporte o tempo todo e tentam trabalhar de uma maneira mais profissional, mesmo num mercado que ainda é absurdamente limitado e dividido. Espero ter respondido sua dúvida, não tenho intenção nenhuma de criar polêmica ou julgar algum produto ou alguém, minha opinião sempre foi e sempre será baseada em fatos reais que estão aí na cara de todos. A internet existe pra colocar a informação na nossa frente, cabe a nós pesquisar, colocar a cara e ir atrás do que nos agrada e nos faz feliz. Valeu e grande abraço!

  12. Show de resposta…não é difícil mesmo encontrar a razão da diferença de preço entre as pranchas nacionais e gringas, a qualidade dos materiais e o dólar, na importação, elevam em muito os preços das pranchas…
    E como vc disse tmb, de nada adianta andar de “Ferrari” numa estrada carroçável… se as ondas não são tão grandes, uma pranchinha nacional pode resolver o “problema”…kkkk
    Bola pra frente e estamos ansiosos por novos posts!!!!!

  13. Saudações, Paulo.

    Falando em pranchas, ondas, destinos e viagens… Gostaria de saber se você sabe se a nova regra referente ao despacho de bagagem em voos domésticos e internacionais tem afetado o transporte de pranchas de bodyboard. Nunca precisei pagar para despachar minhas pranchas, mas agora não sei como ficou. Você já fez alguma trip após a implantação dessas novas regras?

    Valeu e aguardamos as próximas postagens no blog!

    • Fala Danilo, tudo bem? Então, afetou sim infelizmente. Fui pro RJ na semana retrasada, fiquei 04 dias em Itacoatiara, e a Latam me cobrou 110 reais na ida por uma capa com 2 pranchas, saindo aqui de SP. Na volta, surpreendentemente imagino que por despreparo da atendente no Santos Dumont, não foi me cobrado nada. Nem eles sabem exatamente se devem cobrar ou não, já que não existe a palavra “Bodyboard” especificado no site da Latam por exemplo e fica sempre a dúvida. Então pelo que eu vi voltamos ao que era antes da lei que a Anac tinha colocado a anos atrás, de que se fosse dentro da franquia não haveria cobrança. Agora cada companhia tem sua própria regra e muitas vezes dependemos da sorte ou boa vontade do atendente no check-in, e o barato pode sair caro. Eu por exemplo paguei 214 reais na passagem e mais 140 de taxas de bagagem. Se tivessem cobrado na volta, teria sido mais cara a bagagem do que a própria passagem. Vale aí a pesquisa com calma antes de se comprar passagens. Valeu!

  14. E aí, Fleury!

    Cara, gostaria de sugerir um post sobre as Cook Islands. Sei que tem bastante informação sobre o lugar na internet e no site da boog house, mas gostaria de ler um parecer de alguém do seu calibre sobre o pico. Não acho que isso vai prejudicar o local por aumentar a exposição, e se aumentar, vai ser para pessoas certas, da nossa tribo rsrs. Seria interessante saber principalmente sobre as ondas, mas também sobre tudo envolvido na viagem, atividades por lá, vibe do pico e da galera por lá, constância, dicas, etc. Algo como já foi feito em outro post sobre a Indonésia, por exemplo.
    É um lugar peculiar e sem tantos relatos como o Havaí, México, Chile, e acredito que está no imaginário de todos os bodyboarders que já ouviram falar do local…

    Fica a sugestão! Abraço

    • Fala Eduardo, beleza? Então, já não é a primeira vez que me pedem isso, já pensei bem a respeito e continuo meio contra, por ser um lugar que ainda não caiu no circuito popular de ondas, mesmo com toda a exposição. Internet tá aí pra você fazer qualquer pesquisa, você citou aí a Boog House e o Eric é o cara mais acessível do mundo pra dar qualquer tipo de informação. Eu já fui 3 vezes pra lá e o lugar continua idêntico, e torço pra que continue assim, sempre. Entendo seu ponto de vista mas pra mim ainda é algo a ser estudado. Por enquanto não me sinto confortável em fazer esse post, espero que entenda. Valeu!

      • Paulo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 110% de acordo!! pico bodyboard na veia !!! let’s keep that way enquanto conseguirmos !!!!!!!!!!!!!!

  15. As Hubboards com core quad core são indicadas para mares de água quente, como o Nordeste? E outra, este bloco deixa as pranchas mais pesadas em relação ao PP Freedom Six? Grato.
    E os “test drives”? Tem algum a caminho?
    Abs

    • Fala Daniel, o Quad Core aguenta sim água quente. Talvez não seja tão durável quanto um bloco de PP com tela já que ele tem uma camada mais mole imediatamente abaixo do deck, que dá aquele feeling de prancha já amaciada (que eu por sinal gosto demais). Como existe uma camada a mais, a prancha é sim um pouco mais pesada, mas nada que atrapalhe na água. Quanto aos test-drives já estou com uma GT Mega-T em mãos, assim que eu conseguir pegar um dia realmente bom pra tirar umas fotos, solto o review. É isso, espero ter ajudado! Valeu!

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s